Roberta Machado
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Os problemas enfrentados pelos moradores do Condomínio Sol Nascente, em Ceilândia, afetam ainda mais os que têm muito tempo livre e nenhum lugar apropriado para gastá-lo: as crianças. Sem ter onde brincar, alguns dos pequenos são fadados a passar o dia trancados em casa, enquanto outros preferem enfrentar a dura realidade da comunidade.
Sem elementos de infraestrutura como asfalto e saneamento básico, o Condomínio Sol Nascente também não conta com uma área destinada ao lazer das crianças e jovens do local. Os que se aventuram a levar a brincadeira para o lado de fora do portão têm a tarefa de encontrar um lugar para se reunir sem ter de disputar espaço com os carros – mas não há como escapar das condições precárias da rua.
É difícil empinar pipa em meio aos cabos de eletricidade carregados de fios instalados ilegalmente ou andar de bicicleta sem cruzar as trilhas deixadas pelo esgoto a céu aberto. Sem opção, eles são obrigados a disputar espaço com o lixo, a brincar na pista principal em meio aos carros ou a caminhar mais de um quilômetro até a parada de ônibus mais próxima em busca de um lugar seguro.
“Às vezes subimos para um parque lá na expansão, mas uns lojistas disseram que só podemos usar a quadra de 18h às 20h”, conta Antônio Miranda Júnior, de 14 anos. A dificuldade em buscar um local apropriado para jogar bola levou as crianças a demarcar um campo por conta própria, onde levantaram traves com a madeira que encontraram.
O lugar escolhido não podia ser mais inapropriado: próximo a uma área conhecida pelo abandono de veículos roubados, o campo improvisado é cercado por mata queimada e animais. “Às vezes aparece cachorro morto por aqui”, denuncia o menino da oitava série.
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