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Brasília

Crianças perdem direito ao transporte e têm de pegar ônibus para a escola

Arquivo Geral

22/02/2018 7h00

Jane teme que a perda do benefício se estenda aos filhos: perigo ao pegar ônibus na rodovia. Foto: João Stangherlin

Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

Passados apenas sete dias do início do ano letivo, pais de alunos de Santa Maria já têm motivos para reclamar do transporte escolar público. Há crianças que perderam o benefício e agora precisam ir e voltar da escola de ônibus convencional. Por outro lado, as que ainda são atendidas reclamam da demora para chegar e voltar dos centros de ensino. O problema no transporte de alunos não é exclusivo de Santa Maria. Ontem, o Jornal de Brasília mostrou o caso das crianças de São Sebastião.

A cobradora Luciene Nascimento de Castro, 35 anos, mora no Residencial Santa Maria e tem dois filhos, de 13 e 11 anos, que estudam no Centro de Ensino Fundamental 213. A distância entre os dois pontos é de nove quilômetros. Por isso, de acordo com a portaria 225, de maio de 2017 da Secretaria de Educação, os dois teriam direito ao transporte escolar no quesito distância.

“Só que no primeiro dia de aula me chamaram na Regional de Ensino para fazer um recadastramento. Ali, fui informada de que os meninos não poderiam ter mais o transporte por causa da idade. Falaram que eu teria que fazer o passe livre estudantil”, relata a mãe.

A preocupação, agora, é que os filhos terão de pegar os coletivos convencionais sozinhos. “A de 11 anos (Hiasmyn) não consegue pegar ônibus sozinha. O de 13 anos (Alexandre) poderia fazer companhia, mas são horários diferentes”, alega.

Para piorar, em ambos os casos será necessário utilizar dois ônibus para chegar à escola. “Eles vão ter de ir até o BRT de Santa Maria e de lá pegaria outro. Nesse caminho eles têm que atravessar rodovia. Não acho justo. Sou cobradora e sei o que as crianças passam. Vejo meninos se perdendo, passando da parada que têm que descer. Não quero isso para os meus filhos”, critica Luciene.

Demora para buscar e deixar os alunos

A dona de casa Jane das Neves Pereira, 29, tem uma filha de 12 anos. Por enquanto, Yellane – que estuda na Escola Classe 100 – tem acesso ao transporte escolar público. “Não me falaram se ela iria perder. Mas, se for para fazer passe estudantil, eu não tenho condições nem de ir ao DFTrans”, lamenta.

Diante das incertezas, Jane questiona como vai ser se a filha precisar pegar ônibus convencional. “Ela nunca andou de ônibus sozinha. A gente fica na beira da DF-290. Ela vai ter que atravessar rodovia para ir para a parada. É muito perigoso”, destaca.

Além do medo de perder o benefício, Yellane e o irmão Pedro Iago, de 9 anos, reclamam do tempo em que ficam no escolar. “Demora muito para chegar em casa”, resume a garota. Jane confirma a versão dos filhos: “Eles saem da escola às 12h e chegam em casa só às 14h. São duas horas dentro de um ônibus”, aponta.

“Não tem um horário fixo também. Tem dia que passam para buscar às 6h, e teve dia que passaram 7h. A gente nunca sabe em qual horário vão chegar à escola e em casa”, acrescenta.

Versão oficial

Em nota, a Secretaria de Educação informa que não houve corte do benefício. “O transporte escolar é oferecido a crianças de até cinco anos que estudem a mais de dois quilômetros de casa. Alunos de 6 a 17 anos são contemplados pelo serviço somente nos casos em que não há linhas convencionais que atendam à localidade em que residem”, destaca.

A pasta afirma ainda que os alunos que não são atendidos pelo serviço podem requerer o Passe Livre Estudantil. “Vale ressaltar que, em razão das especificidades da região, muitos estudantes de 6 a 10 anos desta regional (Santa Maria) estão recebendo o benefício”, conclui.

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