Aos 5 anos, Jorge Augusto Sena encontrou no Centro de Referência em Transtorno do Espectro Autista (Cretea) um ambiente que estimula seu desenvolvimento e amplia as possibilidades de convivência. Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ele frequenta a unidade todas as quartas-feiras, participando de atividades terapêuticas que fortalecem a autonomia e a interação social.
“O acompanhamento tem sido bastante útil para a socialização dele com as outras crianças. Além disso, a estrutura é fantástica, os profissionais são muito qualificados e o grupo de pais ajuda muito na troca de experiências. A gente se sente mais segura e preparada para apoiar o desenvolvimento do nosso filho”, conta a mãe de Jorge Augusto, Amanda Ferreira, 22 anos.
Inaugurado em dezembro do ano passado, o Cretea é a primeira unidade do Distrito Federal com foco exclusivo em autismo. O centro atende crianças de até 10 anos já inseridas nas filas da rede pública de saúde, com o objetivo de diagnosticar a condição e intervir em tempo adequado, essencial para o desenvolvimento cognitivo, social e comportamental.
O acesso ocorre por meio da Central de Regulação da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). Ao chegar, a criança passa por acolhimento e três avaliações multiprofissionais, que permitem compreender as características do espectro e outros aspectos do desenvolvimento.
“Após essa etapa, a equipe se reúne com a família para apresentar o plano terapêutico, definindo os atendimentos necessários, como fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia, nutrição e participação em grupos”, afirma a gerente da unidade, Viviane Felipe Veras.
A estrutura foi planejada para oferecer conforto, estímulo e funcionalidade, incluindo oito consultórios, salas para atendimentos em grupo, ginásio terapêutico, sala multissensorial, cozinha terapêutica e ambientes voltados ao acolhimento e às atividades lúdicas. Os atendimentos incluem sessões individuais, grupos para interação social e ações direcionadas às famílias.
A equipe multiprofissional é composta por psiquiatra infantil, neuropediatra, pediatra, psicólogo, fonoaudiólogo, nutricionista, assistente social e fisioterapeuta. O centro atende crianças com diagnóstico confirmado e aquelas com suspeita de TEA, sempre a partir de encaminhamento da rede pública.
Inicialmente, foram disponibilizadas 50 vagas, todas preenchidas até 16 de janeiro, com previsão de novas aberturas mensais. Parte dos encaminhamentos não se enquadrava no perfil de TEA, levando à reorganização dos fluxos. A frequência dos atendimentos é individualizada, considerando as necessidades clínicas da criança e a rotina da família.
O tempo de permanência varia conforme cada caso. Crianças com demandas pontuais podem receber alta após cerca de seis meses. Após os três primeiros meses, ocorre reavaliação para acompanhar a evolução, e uma nova análise em 180 dias define a continuidade ou encaminhamento para a rede. Todo o processo é articulado com unidades básicas de saúde e escolas, mantendo o vínculo com a atenção primária.