Em mãos erradas, um brinquedo que já foi muito popular entre as crianças pode aumentar os índices de violência. As armas de brinquedo têm sido utilizadas por assaltantes, muitos deles jovens, com alguma frequência no Distrito Federal e em outros locais do País. Bem feitas e muito semelhantes às originais, elas confundem a vítima, que acaba se submetendo ao infrator. Segundo a Polícia Civil, em 2008, foram registradas 69 apreensões de falsas armas, contra 66 em 2009. Neste ano, a polícia já registrou 18 assaltos com o mesmo recurso.
O problema é discutido por vários setores da sociedade. O pesquisador em Segurança Pública da Universidade de Brasília (UnB) Antônio Flávio Testa comenta que, depois do Estatuto do Desarmamento, tornou-se proibida a fabricação de réplicas de armas, exceto quando são encomendadas, com autorização do Exército, para serem usadas em treinamento de agentes de segurança. Ele considera que o estatuto veio com muito rigor. “Hoje as crianças usam cada vez menos armas para brincar. Mas isso não quer dizer que diminuiu a incidência com armas falsas”.
O especialista explica que, mesmo sendo uma falsa ameaça, o “brinquedo” gera dano psicológico à vítima. Sua utilização, por isso, é configurada como crime porque quem a utiliza faz uso de violência contra a vítima. Antonio Testa afirma que o fato de o crime ter sido cometido com um falso objeto não tem sido considerado como atenuante pela Justiça. “Os magistrados condenam o criminoso com a pena de um roubo comum”, diz.
O especialista em Segurança da UnB, diz que os deliquentes, para obter sucesso nos roubos, se utilizam do elemento surpresa. Elas, geralmente, são usadas em sequestros relâmpago ou no comércio. Testa avalia que a escolha pode se dever à dificuldade conseguir uma arma real.
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