O depoimento do empresário Felismino Alves Ferreira, viagra presidente do Sindicato das Empresas Funerárias do DF e dono da funerária Portal do Sol, que atua na cidade de Sobradinho, confirmou as suspeitas da CPI dos Cemitérios de irregularidades no setor funerário. Felismino disse aos deputados que a prática de serviços irregulares é comum no setor, e caiu em contradição ao ser questionado em relação às irregularidades encontradas pela Agência Nacional de Vigilância em sua empresa.
Entre as práticas irregulares, Felismino destacou a apropriação de recursos do DPVAT, seguro obrigatório pago a famílias de vítimas fatais de acidentes de trânsito. De acordo com o empresário, as empresas se oferecem para intermediar o requerimento do benefício e acabam se apropriando do seguro, que pode chegar a R$ 14,5 mil, alegando aos familiares que o benefício foi utilizado para os serviços funerários da vítima. Além disto, o empresário afirmou que algumas empresas contratam funcionários de hospitais, para conseguir informações sobre os serviços de outras empresas, e chegam a utilizar a mesma freqüência do rádio utilizado pela polícia para monitorar acidentes e abordar as famílias, para tentar a intermediação para a aquisição do seguro.
Ao ser questionado sobre as irregularidades encontradas em sua empresa, a funerária Portal do Sol, em Sobradinho, Felismino entrou em contradição. A equipe de investigação da CPI encontrou vísceras armazenadas em sacos plásticos para uso doméstico, em desacordo com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que determina que os órgãos devem ser mantidos em recipiente adequado e sob refrigeração.
O empresário disse que estava viajando e não tinha informações sobre as denúncias, e alegou desconhecer as regras da Anvisa. Felismino afirmou também que armazenava os órgãos como lixo comum, se desfazendo do material por meio dos caminhões do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) ou enterrando em covas abertas no Cemitério de Sobradinho.