Mais de 30 famílias de uma escola particular em Águas Claras tiveram prejuízo financeiro depois que a Jujuba Ateliê, comandada pela costureira Bárbara Júlia Júnior de Queiroz, não entregou as fantasias contratadas para a Festa das Tradições do colégio. Ao todo, mais de 30 mães haviam fechado o serviço mediante pagamento antecipado de R$ 100 por traje.
Na semana da apresentação, porém, a profissional avisou que não conseguiria concluir as peças. A situação teria colocado as famílias sob pressão, uma vez que a participação na apresentação valia nota para os alunos. Quem não pudesse se apresentar deveria ter entregado um trabalho substituto com um mês de antecedência, prazo que já havia vencido quando as mães descobriram que não teriam as fantasias.
Pollyana Sampaio, advogada e uma das mães lesadas, destaca a tentativa frustrada de resolver o caso sem recorrer à Justiça. Segundo ela, um acordo extrajudicial chegou a ser firmado para a devolução dos valores pagos, mas não foi cumprido. As famílias formalizaram então uma confissão de dívida, na qual a costureira se comprometia a pagar o valor de forma parcelada, de acordo com as turmas prejudicadas, compromisso que também não foi honrado logo na primeira data combinada.
A comunicadora e empresária Juliê Dutra, mãe de outro aluno prejudicado, descreve a extensão do problema. Segundo ela, a costureira atendia turmas de diferentes escolas e unidades variadas, como em Águas Claras, Vicente Pires e Guará, e o pagamento havia sido feito com mais de um mês de antecedência.
Segundo Dutra, o aviso sobre a não entrega das roupas também não teve uma comunicação clara com os clientes contratantes. “A profissional saiu do grupo criado com as famílias e informou apenas parte delas de que não conseguiria cumprir o serviço, mesmo tendo ido à escola tirar as medidas das crianças pouco antes. Sabemos depois que ela tem um histórico de não entregas como essa”, comenta.
Procurada pela reportagem do Jornal de Brasília, Bárbara Júlia Júnior de Queiroz reconheceu o atraso na entrega das peças e os transtornos causados às clientes. “De fato, houve atraso na entrega das peças e reconheço os transtornos causados às clientes. Contudo, é importante esclarecer que isso ocorreu em um período em que eu enfrentava um grave quadro de saúde mental, que acabou comprometendo significativamente minha capacidade de trabalhar e administrar o ateliê. Não se tratou de desinteresse, má-fé ou da intenção de prejudicar qualquer cliente”, afirmou.
A costureira confirmou a existência do acordo para devolução dos valores, mas disse não ter conseguido cumprir o cronograma estabelecido. “Em relação ao acordo para devolução dos valores, ele realmente foi firmado. Infelizmente, em razão da mesma situação de saúde, somada às dificuldades financeiras que decorreram desse período, não consegui cumprir o cronograma estabelecido. Ainda assim, minha intenção sempre foi buscar uma solução”, disse.
Segundo ela, o interesse em resolver o caso segue de pé, inclusive com uma das mães envolvidas, com quem afirma já ter conversado. “Realmente a gente não tem o valor financeiro para estar iniciando o acordo agora, mas nada impede que a qualquer momento a gente venha fazer o ressarcimento e retome esse acordo. Meu interesse maior é finalizar essa situação da melhor forma possível, pagando a todos os pais e fazendo esse acordo de fato”, declarou.
O Colégio Objetivo, por sua vez, esclarece que não teve qualquer participação na contratação da costureira. Em nota, a instituição afirma que a escolha de trajes para a Festa das Tradições era livre, cabendo a cada família decidir sobre a confecção das roupas, e que não intermediou pagamentos nem contratações. Para evitar prejuízo pedagógico, o colégio atribuiu pontuação integral no quesito traje a todos os alunos afetados e orienta as famílias lesadas a buscar diretamente a profissional contratada para a resolução do caso.