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Brasília

Coronavírus: call center mantém funcionários aglomerados

Ao JBr, colaboradores do BRB Serviços denunciam que têm medo de contrair o coronavírus no local

Pedro Marra

24/03/2020 6h19

Mesmo com a recomendação do Ministério da Saúde para que as pessoas evitem aglomerações devido à pandemia do novo coronavírus, funcionários do BRB Serviços seguem trabalhando no atendimento de call center. Alguns disseram ao Jornal de Brasília que nem sequer foram ontem à empresa com medo de contrair a doença no próprio trabalho.

Ontem, alguns funcionários que não compareceram foram surpreendidos com advertências por escrito. “Temos medo de perder o nosso emprego. Peço que a empresa também dê direito de isolamento aos seus funcionários, que utilizam transporte público, como os supervisores. Eles não estão indo trabalhar por dependerem desse meio. Algumas medidas já foram tomadas em relação a higiene dentro da empresa, mas essas são apenas preventivas e não garantem a proteção quanto a essa doença altamente perigosa. Tem 700 funcionários, e muitos não têm carro. Hoje com a nossa ausência a empresa começou a fazer represálias com notificação”, informa uma servidora, que não quis se identificar por medo de represália.

Ela comenta o perigo de vários funcionários trabalharem ao mesmo tempo em um lugar fechado.

“O que mais me preocupa no call center é a aglomeração de pessoas nas estações de trabalho em copas e banheiros. Tem pessoas com medo de ir trabalhar, por ter idosos em casa, e pessoas com doenças crônicas”, afirma.

Segundo apurou a reportagem, 30% do efetivo trabalha em regime de home office, enquanto 70% tem de ir ao local de trabalho. “É a decisão de uma central da empresa, que quer fazer revezamento. Não adianta, pois ao sair de casa a pessoa se expõe. Ainda estou em casa aguardando o posicionamento da empresa para o home office. Mas até agora nada”, disse a funcionária

Outra trabalhadora do BRB Serviços comentou que recebeu e-mail da empresa.

“Mandaram voltar ao trabalho, se não poder ser considerado desídia (negligência). Acho que o home office tem que ser geral. Tenho crianças de 9 e de 13 anos, e um marido do grupo de risco”, preocupa-se.

Sindicato

O Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Distrito Federal (Sinttel) fez uma reunião na última sexta-feira para discutir a proteção da categoria. “O sindicato já havia encaminhado uma correspondência para algumas empresas, inclusive ao BRB Serviços, com medidas básicas de proteção aos trabalhadores, porque eles estão apavorados”, conta o diretor do Sittel, Leandro da Fonseca Silva.

Na opinião dele, o essencial é que as empresas fechassem neste período de pandemia. Não sendo possível fechar, que diminuíssem a concentração de pessoas. “Esse é o risco do call center, sem circulação de ar, por exemplo. A empresa precisa adotar medidas para poder diminuir os riscos. A gente já tem trabalhadores que estão faltando ao trabalho. São cerca de 10 a 15 mil funcionários de call centers no DF. Esse trabalhador corre perigo de sofrer medidas disciplinares, como até ser demitido”, relata Leandro.

Advertência fala até em possível demissão

O e-mail que os funcionários mencionam foi enviado pelo BRB Serviços na sexta-feira (20) passada para os que faltaram ao trabalho. “A empresa vem executando todos os protocolos de higiene e segurança determinados pelas autoridades de Saúde, assim como também está implantando protocolo de contingência, contendo medidas de segregação de espaços físicos, liberação imediata dos casos de prioridade (gestantes, idosos e portadores de doenças crônicas) e escala para trabalho em home office”, diz o documento.

Ao final, a empresa alerta sobre a possibilidade de demissão por justa causa dos funcionários que faltarem o serviço. “Diante disso, viemos por meio desta, notificá-lo (a) para que retorne imediatamente ao trabalho, posto que a falta injustificada configura a desídia no desempenho de suas atividades”, comunica o BRB Serviços.

Procurado pelo JBr, o BRB Serviços confirmou que planejou a escala de trabalho, inicialmente, com 70% de seus empregados na modalidade presencial, e outros 30% na modalidade home office.

“O percentual dos que farão teletrabalho pode subir para 50%, a depender da natureza do serviço prestado e da complexidade do mesmo. As medidas entram em vigor a partir de hoje, uma vez que dependiam de soluções tecnológicas para atendimento em voz via home office”, diz a empresa.

O órgão afirma que implantou outras medidas protetivas.

“Reforçamos ainda a higienização e limpeza dos postos de trabalho e das áreas comuns disponibilizando dispensers com álcool gel em toda a empresa e em recipientes individuais intercalados nas posições de atendimento”, informa.

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