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Coordenadora de medicina da UnB pede desligamento após decisão sobre vacina

A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração (CAD) nesta quinta-feira, 27, através de uma votação que contou com 47 votos favoráveis

Por Evellyn Luchetta 27/01/2022 10h12

A coordenadora de graduação do curso de medicina da Universidade de Brasília (UnB), Selma Kuckelhaus, pediu o desligamento do cargo após a Universidade confirmar que irá exigir o comprovante de vacinação para alunos e funcionários. A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração (CAD) nesta quinta-feira, 27, através de uma votação que contou com 47 votos favoráveis à medida e duas abstenções.

“Torno pública a minha decisão, devidamente formalizada ao diretor da Faculdade de Medicina (FM) nesta data, de me desligar da coordenação da graduação do curso de medicina. Tal decisão foi motivada pela recente implantação do passaporte sanitário na Faculdade de Medicina, que hoje foi aprovada pelo CAD para toda a comunidade universitária”, informa Kuckelhaus, em nota.

A apresentação do comprovante vacinal não é exigida apenas na Faculdade de Medicina, o documento permite o acesso a todas as edificações administrativas e acadêmicas da UnB, além de incluir os quatro campi e demais edificações.

A nova decisão altera uma norma anterior, publicada no dia 22 de novembro de 2021. O artigo 13 da resolução 051 exigia o comprovante apenas para o acesso ao Restaurante Universitário (RU) e a Biblioteca Central (BCE), os dois locais ficam concentrados no campus Darcy Ribeiro, na Asa Norte.

A nova norma passa a valer 15 dias após a publicação.

Na ocasião em que a exigência do comprovante foi aprovada, o diretor da Faculdade de Medicina, Gustavo Romero, afirmou que a aprovação significa um acolhimento à ciência. “Trata-se de celebração bastante significativa do acolhimento da ciência para tomarmos nossas decisões e da nossa preocupação com a saúde coletiva. São caminhos que valem a pena ser trilhados”, disse.

Além de expor o motivo do seu desligamento, a coordenadora da FM disse que as vacinas ‘suscitam inúmeros questionamentos’, indo contrária ao comemorado pelo diretor da faculdade.

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“Sou sensível ao momento pandêmico, bem como às soluções criadas para o cuidado dos pacientes. Dentre essas, é sabido que as vacinas estão em desenvolvimento e, nessa fase, tanto a segurança quanto a eficácia suscitam inúmeros questionamentos. Para além disso, as vacinas disponíveis não impedem a infecção e tampouco o contágio, como demonstrado pelos inúmeros casos de infecção de indivíduos vacinados”.

Na nota, Kuckelhaus afirmou que não foi vacinada. “Considerando que componho o grupo de servidores não vacinados, a minha posição como coordenadora ficou em desacordo com a gestão da faculdade”, conta.

Apesar de não impedir o contágio e infecção pelo vírus, a vacina inibe cenários mais críticos da doença e complicações adversas. Dados divulgados pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal mostram que dos quase 11 mil óbitos causados por complicações da covid-19 na capital, 92,2% foram pessoas que não haviam iniciado ou completado o esquema vacinal.

Apesar disso, a coordenadora afirmou se manter ao lado das ‘liberdades individuais’. “Entendo ser uma incongruência a imposição do passaporte sanitário, desconsiderando os indivíduos que se recuperaram da infecção pela Covid-19 e que possuem imunidade natural, bem como aqueles que não sentem segurança nas vacinas disponíveis e julgam que o risco supera o benefício. Além disso, sou árdua defensora das liberdades individuais”.

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A imunidade natural, citada por Kuckelhaus, e também conhecida como ‘imunidade de rebanho’, consiste em atingir um ponto onde há uma quantidade de pessoas suficiente imune ao vírus, interrompendo a transmissão comunitária. Essa alternativa, no entanto, exige que o vírus se mantenha estável, o que não é o caso do coronavírus, levando em conta a quantidade de cepas existentes e que agem de maneiras diferentes entre si.

Essa alternativa de enfrentamento à pandemia, todavia, não consiste em deixar com que as pessoas fiquem doentes e saiam imunizadas, visto que não é possível garantir a saúde dos infectados, considerando a forma diversa com que a doença age no sistema imunológico de cada um, variando no nível de agressividade.

Se fosse plenamente adotada, especialistas avaliam que a imunidade de rebanho só funcionaria quando aliada às vacinas. “Precisamos imunizar a população total para que isso aconteça”, conta Isabella Ballallai, vice-presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunização”, em entrevista ao UOL.

Por fim, ela agradeceu pelo tempo em que esteve em frente à coordenação da faculdade. “Declaro a todos que sou muito grata à gestão da FM pela confiança depositada a mim, bem como pelo amplo aprendizado adquirido ao longo dos últimos 3 anos. Minha gratidão a todos os professores, servidores técnicos da secretaria de graduação e direção, bem como aos estudantes”, finalizou.

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Até o momento, a diretoria da FM, tampouco autoridades de outras áreas da UnB, se manifestaram em relação à saída de Kuckelhaus.








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