Ana Paula Leitão
Violência, gravidez precoce e acidente de trânsito são resultados após o consumo de bebidas alcoólicas para muitos adolescentes no Distrito Federal. De acordo com o coronel Ricardo da Fonseca, atual comandante do Comando do Policiamento Militar no DF, jovens cada vez mais novos se envolvem em atos de violência após consumirem álcool, principalmente em shows e eventos. Segundo ele, a fama dos brasilienses de “brigões” já se espalhou até para outros estados. “É um fenômeno social, eles brigam por qualquer motivo, para dizer que são mais fortes, porque mexeram com a namorada ou apenas porque estão com vontade”.
A hebiatra, médica especializada em adolescentes, Cleine Rego, explica que sob efeito do álcool eles estão mais propensos a serem vítimas ou autores de violência. “O adolescente embriagado fica mais vulnerável porque tem sua impulsividade intensificada e, como sofre mais influências externas, do grupo, pode acabar se envolvendo em confusões”.
A psicóloga Ana Carolina Linhares enfatiza que, mesmo adolescentes que não têm comportamento agressivo, podem ter atitudes de violência quando estão sob influência do álcool. “Em geral, o álcool desinibe, então pessoas mais tranquilas podem se tornar destemidas ou ficar fora do controle”. Em casos de menores que já possuem comportamento violento, a psicóloga diz que a agressividade pode ser intensificada e agravada pelo álcool.
Descontrole
A jovem D., de 26 anos, começou a beber aos 14 anos com amigos, parentes e até sozinha. Moradora de São Sebastião, a garota conta que muda completamente após alguns copos de caipirosca (vodca com suco de limão). “Quando eu bebo, não aceito desaforos de ninguém, me descontrolo. Meu grau de agressividade é tão grande que não meço o perigo”, conta a garota, que se envolveu em muitas brigas e já agrediu o marido depois da bebedeira.
Na maior parte do tempo séria e tímida, D. iniciou-se na bebida para se inserir no grupo. “Num primeiro momento, eu fico alegre e comunicativa, converso com todo mundo; muitos amigos dizem que me preferem bêbada. O problema é que depois perco o controle, alguns dizem que eu pareço possuída”. A menina, que está há dois meses sem beber, prometeu para a mãe e para si mesma que não coloca mais um copo de bebida na boca. “Enquanto eu tiver força interior, não bebo mais”.
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