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Brasília

Conselho de Ética da CLDF suspende processo de cassação de Daniel Donizet

Voto do relator, Hermeto, seguiu parecer da Procuradoria da Casa pelo arquivamento. Fábio Felix pediu vista ao caso

Suzano Almeida

12/11/2025 14h51

Comissão de Ética e Decoro Parlamentar se reúne para deliberar sobre Daniel Donizet/ Foto: Suzano Almeida

Comissão de Ética e Decoro Parlamentar se reúne para deliberar sobre Daniel Donizet/ Foto: Suzano Almeida

A Comissão Ética e Decoro Parlamentar (CEDP) da Câmara Legislativa se reuniu, nesta quarta-feira (12), para deliberar sobre o processo de cassação do deputado Daniel Donizet (MDB), acusado de supostos crimes de assédio sexual e de abuso de poder. O parecer do relator do colegiado, Hermeto, seguiu o pedido de arquivamento da Procuradoria Geral da CLDF, mas o processo foi suspenso por pedida de vista do deputado Fábio Felix (PSol).

Hermeto acatou o pedido e afirmou que uma nova reunião para deliberar sobre o caso. “Aviso aos membros que não darei novos prazos para pedidos de vista. Reforço que a próxima reunião será para deliberar sobre o caso”, argumentou. O presidente ressaltou, ainda, que o pedido de vista não tem prazo para ser encerrado.

A sessão foi aberta com 20 minutos de atraso com a leitura do parecer opinativo da Procuradoria Geral da Câmara Legislativa, que foi lido pelo presidente da CEDP, Hermeto (MDB). O documento afirmava que o Donizet deveria ter sido suspenso por 90 dias e que todos os processos sejam apensados.

Ele foi acusado de flagrante de direção sob o efeito de álcool, omissão de socorro em caso de estupro, conduta abusiva, assédio contra servidores.

Em sua defesa, o deputado afirmou que as denúncias faziam parte de perseguição política e que foram anteriores ao mandato atual. No caso do assédio contra a influenciadora Andressa Urach, Donizet afirmou que o caso ocorreu em ambiente privado e sem ligação com seu mandato.

Sobre o caso de abuso de poder, em que ele tentou interferir contra agentes da Polícia Militar. O suspeito afirmou que não há provas e nem denúncias e que tudo fazia parte de matérias jornalísticas sem provas.

Sobre o caso de estupro, em que ele não teria prestado socorro, ele afirmou que não foi acusado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), portanto, a Procuradoria da CLDF não teria levado o caso à frente.

No caso de Andressa Urach, ele afirmou que não haviam provas do assédio contra ele, o que não configuraria o crime de assédio.

O presidente da CEDP afirmou que os crimes configuram crimes graves, inclusive, com a perda de mandato.

Voto do relator

Segundo o parecer da Procuradoria, o corregedor da Câmara Legislativa não viu motivos para a cassação. Entretanto, não há provas suficientes para a cassação e opinou pelo arquivamento do processo, até que novas provas apareçam ou que a Justiça o condene.

Outro pedido pelo arquivamento foi da Procuradoria da Mulher, que, segundo Hermeto, pediu o arquivamento.

Pedido de vista

Antes de pedir vista, Fábio Felix lembrou que a Mesa Diretora da Casa já havia sugerido a suspensão de Daniel Donizet pelo prazo de 90 dias, antes de envias a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar deliberar.

“Sabemos que o processo está em segredo de justiça, mas, se pedirmos ao presidente do Tribunal de Justiça [do Distrito Federal e dos Territórios] é possível termos acesso. Vamos avaliar”, disse Fábio Felix ao Jornal de Brasília.

O socialista criticou ainda o relatório, em especial pela espera de um posicionamento da Justiça sobre o caso. Outro ponto contraditado pelo parlamentar foi a blitz, onde Donizet foi flagrado bêbado e, ainda, tentou interferir no trabalho dos policiais militares.

O distrital Thiago Manzoni (PL) pediu mais detalhes sobre o parecer, uma vez que o pedido de arquivamento não apresentava os motivos para o pedido de arquivamento. Outro a concordar com o parlamentar e com Fábio Felix foi Gabriel Magno (PT), que ressaltou que o colegiado não teria condições de deliberar sobre o caso na primeira reunião.

Manzoni sugeriu ao presidente do conselho que peça à Justiça material das investigações para contrapor ao parecer do corregedor da Casa, Joaquim Roriz Neto (PL), pelo arquivamento. A demanda foi atendida pelo presidente Hermeto, que garantiu o pedido.

Contraponto

Membro suplente, o deputado Pepa (PP) chamou o processo com Daniel Donizet de político. O distrital falou sobre falta de boletins de ocorrência, sobre as acusações.

Ele pediu também que o colegiado não cometa “injustiças” contra o colega. Pepa defendeu ainda o parecer pelo arquivamento do distrital Roriz Neto.

Em nota, o deputado Daniel Donizet afirma que o adiamento da decisão do Conselho de Ética da CLDF não altera o fato de que a Procuradoria e a Corregedoria da Casa recomendaram o arquivamento do processo de suspensão de seu mandato por ausência de provas. O deputado sustenta ser vítima de uma armação política, apontando que o influenciador que o extorquia já foi preso e que uma denúncia de assédio por uma suposta ex-servidora foi comprovada como mentira e desmascarada por investigações da PCDF e da CLDF. Ele finaliza reafirmando sua total inocência, destacando que não há processos judiciais contra ele, e mantendo seu compromisso com a causa animal.

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