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Brasília

Consegs adotam redes sociais para se aproximar da população do DF

Iniciativa visa ampliar o diálogo entre comunidade e poder público por meio de plataformas

Redação Jornal de Brasília

10/06/2025 18h21

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Durante os encontros dos Consegs, os moradores têm a oportunidade de apresentar sugestões, demandas e conhecer as ações desenvolvidas pelas forças de segurança em sua região | Foto: Divulgação/SSP-DF

Por Larissa Barros
redacao@grupojbr.com

Os Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs) do Distrito Federal, passaram a apostar nas redes sociais como forma de se aproximar da população. A novidade inclui a criação de perfis no Instagram para divulgar reuniões, registar demandas da comunidade e apresentar as respostas dadas pelos órgãos públicos. Vinculados à Secretária de Segurança Pública (SSP-DF), os Consegs somam hoje 42 unidades ativas, sendo 36 em áreas urbanas e 6 em áreas rurais.

Segundo informações disponíveis no portal da Secretaria de Segurança Pública, os Consegs realizam reuniões periódicas abertas à comunidade para discutir problemas cotidianos relacionados à segurança, como iluminação pública precária, poda de árvores, segurança nas escolas, uso irregular do espaço urbano e situações envolvendo pessoas em situação de rua. A expectativa é que, com o uso das redes sociais, as demandas ganhem maior visibilidade e as devolutivas dos órgãos públicos sejam mais transparentes e acessíveis.

Para o professor de Direito Penal da Universidade Católica de Brasília (UCB) e especialista em segurança pública, Leandro Miranda, a participação da população na construção das políticas públicas da área é essencial para que as ações implementadas atendam às demandas reais da região. “Quando a comunidade participa da construção dessas políticas, as ações de segurança passam a refletir as demandas reais da população e não apenas uma percepção tecnocrática ou distante do problema”, afirma.

O uso das redes sociais, segundo ele, tem potencial significativo para fortalecer a relação entre os Consegs e a comunidade, alcançando um público que nem sempre participa das reuniões presenciais. As plataformas digitais também funcionam como instrumento para ampliar o engajamento, divulgar campanhas, colher sugestões e prestar conta sobre as ações realizadas.

No entanto, Leandro ressalta que o uso das redes exige cuidado. “O principal deles é o risco de exposição indevida de informações sensíveis, que possam comprometer operações policiais ou gerar pânico na população. Também existe o perigo de uso político ou partidário indevido das páginas dos Conselhos, que devem manter seu caráter estritamente cívico e apartidário. Além disso, é fundamental que os Consegs tenham moderação adequada para evitar a proliferação de informações falsas, discursos de ódio ou incitação à violência em suas redes”, diz. Ele destaca ainda que o uso das redes deve estar sempre alinhado com princípios de ética, responsabilidade institucional e respeito aos direitos fundamentais.

A confiança da comunidade, segundo o professor, aumenta quando as reivindicações são consideradas e respondidas com ações. “A estratégia mais eficaz é criar múltiplos canais de participação real e efetiva. Além das reuniões presenciais e do uso de redes sociais, é importante adotar ferramentas como pesquisas de opinião, audiências públicas, grupos de trabalho temáticos e fóruns comunitários”, conclui.

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