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Brasília

Conscientização sobre acessibilidade: conheça a história de colaboradores(as) com deficiência do TJDFT

Instituída em 2012, a data tem como objetivo ampliar a conscientização da sociedade sobre a importância da acessibilidade para pessoas com deficiência em diversos espaços

Redação Jornal de Brasília

15/05/2025 16h43

Foto: Divulgação/TJDFT

Foto: Divulgação/TJDFT

No Dia Mundial da Conscientização sobre a Acessibilidade, celebrado na terceira quinta-feira de maio, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) promove a campanha Sementes da Inclusão, destacando o cotidiano de colaboradores com deficiência que atuam na digitalização de processos judiciais e administrativos na Coordenadoria de Editoração e Digitalização (CODIG). A unidade conta atualmente com 130 profissionais terceirizados(as) com diferentes tipos de deficiência — auditiva, física, visual, intelectual, psicossocial, múltipla e autismo.

Instituída em 2012, a data tem como objetivo ampliar a conscientização da sociedade sobre a importância da acessibilidade para pessoas com deficiência em diversos espaços, inclusive no ambiente de trabalho.

Bom humor e dedicação no dia a dia

Wanderson Lustosa é um dos profissionais que integra a equipe da CODIG. Surdo, cego e com mobilidade reduzida, ele atua na etapa de higienização e verificação dos processos físicos antes da digitalização. Sua postura, marcada pelo bom humor e pela concentração, é reconhecida pelos colegas e pela chefia.

Desde sua contratação, a equipe de supervisão do TJDFT garantiu acompanhamento e treinamento para que Wanderson realizasse com segurança o trajeto de Ceilândia até o local de trabalho, no Guará, utilizando metrô e ônibus. A unidade conta com piso tátil desde a entrada até a mesa onde ele trabalha, posicionada estrategicamente próxima ao banheiro para facilitar a locomoção. A comunicação com a equipe é feita por meio da Libras Tátil, versão da Língua Brasileira de Sinais adaptada para o tato.

Acolhimento e respeito às diferenças

Andressa Sampaio, autista nível 2, também integra a equipe. Bacharel em Direito e estudante de Libras, ela relata que iniciou uma nova graduação para facilitar a comunicação com os colegas.

Devido à alta sensibilidade a ruídos e ao risco de desregulação sensorial, Andressa tem autonomia para levantar e caminhar quando necessário, além de dispor de uma mesa em local com menor movimentação. Assim como outros colegas autistas, ela recebeu abafadores de ruído. “Aqui é minha segunda casa, é um lugar onde eu encontro paz”, afirma. Ela também destaca o respeito da equipe em relação às estereotipias que realiza, movimentos repetitivos que a ajudam a se regular emocionalmente.

Entre os demais colaboradores da unidade estão Maria do Perpétuo Socorro, surda e autista; Léia Souza, mulher trans e surda; Jovelina Portela, com deficiência auditiva e psicossocial; e Pedro Teles, com deficiência auditiva e física.

Inclusão como resultado de uma construção coletiva

Para o gerente Ronaldo Matos e a coordenadora Maria dos Reis, o ambiente inclusivo da CODIG é fruto de um processo contínuo. Eles relatam que a unidade foi o primeiro emprego formal para muitas das pessoas que atuam no local. “Cada pessoa é única e tem suas necessidades e qualidades. Estamos atentos às adaptações necessárias para a inclusão de cada colaborador(a). Antes de definir as funções, a pessoa passa por diferentes setores. A produtividade é constantemente alcançada e, acima disso, construímos um processo de humanização”, destacam.

O TJDFT promoveu adaptações estruturais no espaço para garantir acessibilidade arquitetônica, como rampas, banheiros adaptados, sinalização em braile, piso tátil, corredores largos e mobiliário adequado. A equipe de supervisão conta majoritariamente com pessoas com deficiência, muitas delas também intérpretes de Libras.

Desde 2017, a contratação dos colaboradores(as) é feita por meio de convênio com a Associação de Centro de Treinamento de Educação Física Especial (CETEFE), em cumprimento à Resolução 401/2021 e à Recomendação 26/2016 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Com a campanha “Sementes da Inclusão”, o TJDFT reforça que promover acessibilidade vai além de adaptar espaços: é valorizar talentos, respeitar individualidades e construir, em conjunto, um ambiente mais justo e acolhedor para todos.

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