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Brasília

Conheça José Marques, o Zé das Medalhas

Arquivo Geral

01/05/2013 9h35

São quase mil medalhas. E mais de 50 troféus. Sim, as muitas conquistas do corredor José Marques em competições de rua ficam  expostas na sala de sua casa, em Ceilândia. Provas de seu suor, de seu esforço. E a casa fica até pequena. Por um bom motivo, afinal o corredor de 57 anos é preocupado com a própria saúde. Nessa onda, ele coleciona histórias em cada vitória ou participação nas competições que fazem parte de sua vida. 

 

A primeira vez que José cruzou a linha de chegada em primeiro lugar foi em uma corrida no Setor P Sul, quando tinha 32 anos. Mas desde que passou a correr na categoria dos 55 aos 59 anos, José marca presença nos pódios mais altos. “Quando os meninos me veem correndo já falam ‘lá vem o Barba, não tem quem ganhe dele’. Eu corro para brigar entre os três primeiros, corro para subir no pódio.”


Orgulho

O maior orgulho do mestre de obras é o maior troféu já recebido. O motivo não é o tamanho, mas, sim, a dificuldade da conquista. “O troféu mais sofrido da minha vida foi o que ganhei na Meia Maratona do Piauí. A temperatura estava muito alta, 45 graus na sombra”, recorda o homem que participa das corridas de rua desde 1980.

 

O gosto pelo esporte vem desde quando ele ainda morava no interior da Bahia e jogava futebol com os amigos. Desde então, já chegou a pesar 56 kg com 1,75m de altura e a fazer um quilômetro em 3min15 por corrida. “Eu quero chegar aos meus 100 anos correndo”, brinca o esportista.

 

Esforço

Em 1995, depois de 20 anos trabalhando como vendedor em uma loja de confecção, José foi demitido após a firma ir à falência. “Decidi pegar uma profissão pesada e comecei a trabalhar como pedreiro. Sempre me chamavam de mestre de obra porque entendo de tudo das construções”, conta.

 

O novo emprego pesado não diminuiu o esforço do corredor em manter o corpo e o fôlego para as competições com uma rotina apertada e cansativa. Ele sai para trabalhar às 6h e chega em casa às 18h quando troca de roupa e vai treinar na rua, de onde só volta às 20h. “Não sei como ele aguenta. Ele já tem um trabalho pesado, que exige muito dele fisicamente e ainda chega e vai correr. Eu mesma só caminho de vez em quando”, fala a mulher Lúcia dos Santos, 54 anos.

 

A alimentação é controlada para a melhor condição física. José não come fritura ou carne vermelha. Durante o dia ingere frutas, pão integral e castanhas. “Eu raramente vou ao médico. Fico até cinco anos sem visitar o hospital. Eu corro dos médicos, também”, brinca José.

 

José costuma treinar entre amigos da mesma faixa etária. Os grupos dos quais participa ajudam a custear algumas das viagens do brasiliense. E ele conhece todo mundo nas competições, lugar em que se sente em casa: “Você não vê corredor brigando com ninguém. Estamos sempre alegres. No meu aniversário de 57 anos havia uns 20 corredores na festa e minha família só comentava como todos estavam sempre sorrindo e brincando.”

 

Lesão

A última vitória, no mês passado, causou uma lesão no pé direito do atleta, mas apesar do pedido de descanso do médico ele não pretende parar tão cedo: “Esses dias parei de correr, treino só na bicicleta. Não posso ficar parado não, passo mal, fico nervoso e estressado.”

 

A dica de ouro do veterano é que as pessoas nunca fiquem paradas. “Mesmo se você não conseguir correr pelo menos caminhe, sempre. A coisa mais importante é a saúde. O exercício faz bem para todos”, fala.

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