Uma área de 279 hectares de terra no Núcleo Rural Boa Esperança abriga 500 búfalos. Dona do rebanho na Fazenda Babaçu, perto de Ceilândia, Leni de Cruz, 68 anos, é a maior criadora da espécie, no DF. Apaixonada pela criação, Leni – que considera os animais da família dos bovídeos suas “pérolas negras”– começou a criação com 16 cabeças em 1998. Viúva, mãe de uma veterinária e de um engenheiro agrônomo, ela sonha em desenvolver o mercado da carne saborosa na capital.
Uma história, aliás, que vem de longe. Em 1973, Leni e o marido compraram a Fazenda Babaçu, perto de Ceilândia. “Sou apaixonada pela terra, olha a beleza desse lugar. Recebo visitas de araras que vêm comer frutos do meu pomar”, conta a mulher que também cria minhocas e abelhas.
Ela fala dos búfalos como se fossem da família. Cada animal tinha um nome, escolhido pela neta de Leni, mas hoje eles são reconhecidos pelos números. Em uma orelha o bicho carrega o número da mãe e em outra o número dele. “O mansinho é o 1.083. Ele está de castigo porque quer namorar e não pode, tem que esperar o veterinário para a inseminação”, diz a criadora do búfalo de 4 anos e 600 kg.
O 1.083 tinha um inimigo que foi mandado embora. “O Tornado achava que era o manda-chuva. Brigava e, depois, aparecia na cara de pau com a cabeça baixa”, lembra Leni, que trocou o gado pelos búfalos ao descobrir que estes eram mais rentáveis. “O búfalo não pega carrapato e é precoce sexualmente. A carne é ótima e queremos aumentar as vendas”, avisa Leni. Te cuida, 1.083!
Rotina alegre e tranquila na fazenda
Os maiores compradores da fazenda são de fora do DF. “A carne não tem muita gordura, então dá para aproveitar muito. Qualquer corte da carne é gostoso e leve”, explica a criadora.
Na fazenda, Leni conta com a ajuda de três funcionários que, dentro das regras dela, não podem maltratar os animais em circunstância alguma. Os fazendeiros mostram que não há necessidade de violência com os bichos, que são mansos e inteligentes.
Leni mora em um apartamento “na cidade”, como ela diz, mas as visitas semanais à fazenda são a melhor parte do dia a dia. “Meus filhos foram criados nesse meio, por isso se apaixonaram pela natureza assim como eu”, conclui a produtora.