Poucas horas após o Brasil registrar a sua melhor performance no taekwondo na história dos Jogos Pan-americanos, o presidente da Confederação Brasileira de Taekwondo, Yong Min Kim, tentou apaziguar as críticas sofridas pela ajuda dada aos atletas, mas fracassou.
Assim que Natália Falavigna conquistou a medalha de prata na categoria acima de 67kg, a primeira do feminino, o dirigente anunciou aumento de 100% para Diogo Silva, ouro na categoria até 68kg, 50% para Natália, Márcio Wenceslau (prata na categoria até 58kg) e Leonardo Gomes Santos (bronze na categoria acima de 80kg).
Assim, Diogo passa a receber R$ 1.200 para se dedicar apenas ao esporte. Vale lembrar que a entidade ganha mais de R$ 400 mil anuais, provenientes da Lei Piva. Porém, os taekwondistas foram rápidos em criticar a atitude, tomada logo após a prata de Natália, quando muitos jornalistas aguardavam a entrevista da medalhista.
“É uma injustiça, porque R$ 1.200 não vai mudar muita coisa. Depois acho uma injustiça dar 100% para mim, 50% para os outros medalhistas e 0% para quem não ganhou. O Leonardo, por exemplo, precisava muito mais desse aumento que eu”, disparou o paulista.
Logo após conquistar o ouro, primeira medalha dourada do Brasil no Rio de Janeiro, Diogo já havia deixado claro a sua insatisfação, que a Confederação tentou conter nesta terça-feira. “A Confederação não dá o que precisamos. Nosso presidente sempre nos olhava como segunda opção”, disse.
Um dos “agraciados” pelo aumento, Márcio Wenceslau seguiu a mesma linha e mostrou dúvida em relação à promessa feita por Kim. “Eu não acredito nem nesse aumento que estão prometendo aqui. Eu também acho injusto darem aumentos diferentes, pois somos um conjunto e conseguimos resultados juntos”, justificou.
Este tipo de atitude está longe de ser uma novidade no esporte brasileiro. Há quatro anos, após ser prata em Santo Domingo-2003, o atirador Rodrigo Bastos ouviu a promessa que teria um estande de tiro construído em sua cidade e ainda receberia patrocínio até as Olimpíadas de Pequim-2008 para viver apenas do esporte. Entretanto, o estande só foi encerrado com dinheiro do próprio atirador, enquanto o dinheiro dado pelo patrocinador vem reduzindo gradativamente desde 2005.
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