O concurso de Residência Médica para os hospitais do Distrito Federal, page exceto HUB, foi anulado ontem. A decisão do secretário de saúde, Augusto Carvalho, foi tomada após denúncia de médicos e estudantes de medicina de que três questões de ginecologia e obstetrícia seriam idênticas a outras aplicadas em simulado pela Escola Superior de Ciências da Saúde (ECSC), da
FEPECS.
Na tarde de ontem, o secretário recebeu uma comissão de estudantes pedindo o cancelamento da prova. Segundo ele, também foram recebidos vários telefonemas denunciando problemas durante a realização do exame, no último domingo, sob a responsabilidade da Empresa Paulista EDUDATA Informática, contratada pela Secretaria de Estado de Saúde. “Não vou permitir que a
secretaria seja contaminada por questionamentos ou dúvidas sobre sua transparência e lisura”, afirmou Carvalho. Além disso, o secretário assegurou que medidas serão tomadas para garantir maior segurança nos próximos concursos.
Antes da reunião, cerca de 50 médicos e estudantes de medicina da Universidade de Brasília (UnB), Universidade Católica de Brasília (UCB) e Faculdade de Medicina do Planalto (Faciplac), se reuniram na UnB para organizar uma ação no Ministério Público pedindo o cancelamento da prova. Eles também denunciam que fizeram a prova em turmas de 60 alunos, na UnB, em
salas em que só caberiam 30. Além disso, cada sala teria começado a prova em um horário diferente e não teria sido exigida a identificação dos candidatos, item obrigatório segundo o edital.
A estudante da UCB, Lídia Veras, de 23 anos, conta que na sala em que realizou a prova, a cola foi facilitada. “As cadeiras estavam muito próximas, só de olho fechado para não ver a prova do outro”, diz. Ela afirma ainda que alguns candidados mudaram de lugar antes do examem e que,
diferente do previsto no edital, alguns levaram o caderno de provas para casa. “Se existe regra, tem que ser cumprida por todos”, reclama.
De acordo com o médico Cristiano Fuão, do Rio Grande do Sul, não é a primeira vez que o problema acontece. No ano passado, o concurso de Residência Médica também foi anulado porque duas questões estavam identicas ao do simulado da ESCS. “Eles fazem isso para beneficiar os estudantes deles”, acredita. O médico assegura que os problemas surgiram quando a Escola formou sua primeira turma. “A prova veio totalmente atípica, diferente de todos os anos anteriores”, lembra.
Em nota, o diretor geral da Escola Superior de Ciências da Saúde, Mourad Ibrahim Belaciano, informou que as questões de número 32, 33 e 38, denunciadas pelos candidatos, são oriundas de outro teste promovido pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) para obtenção do título de especialista. As provas teriam sido aplicadas pela federação em
agosto de 2006 e 2007, datas anteriores à realização dos simulados. Além disso, a EDUDATA garantiu que não houve participação de qualquer profissional do Distrito Federal na elaboração de questões da prova de Residência Médica.