O treinador de tênis brasiliense Júlio César da Rocha, conhecido popularmente pelo apelido Cesinha, morreu no último sábado (8/8), aos 46 anos, em decorrência de complicações causadas por uma doença autoimune rara. O corpo foi velado nesta terça-feira (11/8), no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, em Brasília.
Cesinha estava internado no Instituto do Coração (InCor), em São Paulo, desde o dia 21 de julho, após uma mobilização, que tomou proporções nacionais, que arrecadou o dinheiro para que Júlio voltasse ao Brasil. Ele começou a ficar doente em maio, durante uma viagem à França com a esposa, Leilza Aquino, no intuito de comemorar os 20 anos de casado e assistir ao Roland Garros.
Em seu segundo dia em Paris, Júlio César passou mal e foi internado em estado grave e mais tarde, após baterias de exames, recebeu o diagnóstico de dermatomiosite. A condição comprometeu de maneira severa os pulmões de Cesinha, que ficou em coma por parte do período de hospitalização em outro país.
A complexidade da Dermatomiosite
Dermatomiosite é uma patologia rara e inflamatória na qual o sistema imunológico ataca os tecidos do próprio corpo. O caso de Cesinha evoluiu muito rápido, o que resultou no comprometimento de órgãos internos que exigiram suporte respiratório e sessões de hemodiálise. Não há cura definitiva para esta doença, e o tratamento é feito no intuito de controlar a inflamação e os sintomas, por meio de medicamentos imunossupressores.
Legado nas quadras
No Distrito Federal, Júlio é reconhecido pelo trabalho com atletas locais, era treinador da tenista Jade Lanai. Atleta paraolímpica e a primeira tenista em cadeira de rodas a ganhar um Grand Slam, que são os quatro torneios mais importantes do tênis.
Em suas redes sociais, Jade prestou homenagem ao mentor, a quem chamou de “melhor amigo”. “Sentirei muitas saudades do seu olhar para mim, do seu sorriso, da sua risada, da sua voz, do seu abraço, de você aqui fisicamente, mas te sinto mais vivo do que nunca dentro do meu coração”, escreveu a atleta.
Mobilização e solidariedade
O retorno do treinador ao país se deu graças a uma intensa campanha de arrecadação, feita pela família, que incluiu vaquinhas virtuais, doações por Pix e torneios beneficentes. Foi necessário uma decisão judicial, que determinou que a agência de seguro de viagem deveria arcar com os custos integrais do traslado, para que a repatriação aeromédica acontecesse.
Cesinha estava em cuidados intensivos em São Paulo, na expectativa de um transplante pulmonar, mas infelizmente não resistiu ao quadro grave.
