O volume de vendas na capital federal voltou a crescer depois de duas quedas consecutivas. O comércio varejista no Distrito Federal marcou uma alta de 1,2% em agosto de 2026, frente ao mês de julho. O índice é maior do que o registrado na média nacional, que variou 0,1%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgados nesta quinta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em relação ao mesmo mês em 2025, o volume de vendas variou 7,6% no DF. Já o acumulado nos últimos 12 meses registrou alta de 6,4% na comparação com o ano anterior. Das oito atividades analisadas, cinco registraram alta.
Considerando o comércio varejista ampliado, que inclui, além do varejo, as atividades de veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, o volume de vendas em agosto na capital federal apresentou alta de 1,2% em relação ao mês anterior. Frente a agosto de 2025, o varejo ampliado avançou 8,4%.
Já na variação de receita nominal de vendas do comércio varejista no DF, o levantamento registrou, no mesmo período, alta de 1,4% quando comparado a julho de 2026, na série com ajuste sazonal. Quando comparado ao mesmo mês do ano anterior, na série sem ajuste sazonal, houve alta de 11,2%.
O economista e assessor econômico e tributário da Fecomércio-DF, Daniel Soares, explica que o desempenho acima da média nacional pode estar relacionado a algumas características da economia local, especialmente a participação significativa do setor público na geração de renda, a presença de consumidores com maior poder aquisitivo e a importância das atividades de comércio e serviços na economia brasiliense.
“Outro aspecto importante é que esse crescimento não está restrito ao mês de agosto. No acumulado de janeiro a agosto, o varejo do DF cresceu 7,6% em relação ao mesmo período de 2025. Isso indica que a economia local vem apresentando um dinamismo consistente ao longo do ano”, analisa.
De acordo com o economista, o resultado mostra que o comércio na capital federal mantém uma capacidade importante de movimentar a economia, mesmo diante dos desafios relacionados ao endividamento das famílias, ao crédito mais caro e à cautela dos consumidores.
Produtos em alta
Outros artigos de uso pessoal e doméstico (23,5%) foi o grupo de atividades com maior variação positiva e segue em alta desde abril de 2025. Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (10,2%) também seguem em alta desde abril de 2025.
Os artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos registraram alta de 6,8%, com elevação desde abril de 2025; livros, jornais, revistas e papelaria (6,4%) mantiveram aumento desde março de 2026; e móveis e eletrodomésticos (3,5%) desde janeiro.
Por outro lado, o setor de tecidos, vestuário e calçados foi o grupo com maior variação negativa na comparação interanual e segue em queda pelo quarto mês consecutivo, registrando -5,2%. Os equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação voltaram a cair e interromperam uma sequência de cinco altas consecutivas, com -1,3%. Combustíveis e lubrificantes (-0,1%) segue em queda desde junho de 2025.
Na avaliação de Soares, a queda nestes setores está relacionada ao comportamento do consumidor. A análise é que as famílias continuam comprometendo uma parcela da renda com despesas essenciais como alimentação e moradia e adiando compras de produtos como calçados e vestuário.
“Além disso, o crédito mais caro e o elevado endividamento contribuem para aumentar a seletividade do consumidor, que passa a pesquisar mais preços, aproveitar promoções e priorizar produtos considerados indispensáveis. Também precisamos considerar fatores como a concorrência com o comércio eletrônico e possíveis mudanças nos hábitos de consumo, embora os dados disponíveis não permitam mensurar isoladamente esses efeitos”, enfatiza.