Da Redação
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Em horários de menor movimento na rua, ele fecha a grade da loja e passa o cadeado. “Durante a semana, a grade fica fechada entre 12h e 14h. No domingo, fecho a partir das 14h. É o único jeito de trabalhar, aqui há roubo de lojas, invasão de casas, tráfico de drogas durante o dia mesmo. Nunca fui assaltado, porque sempre me preveni, mas o comércio quase todo já foi”, declara Souza, que presenciou muitos assaltos, inclusive ao supermercado próximo ao seu local de trabalho. “É muito rápido, não dá nem tempo de reagir. Eles chegam, em grupo, pegam tudo e vão embora”.
Maria Barbosa (nome fictício) não teve a mesma sorte. Sua distribuidora de bebidas foi assaltada por rapazes que estavam de bicicleta e portavam um revólver. “Eu não confio em mais nada nem ninguém. Se não tivesse as grades, toda semana seria assaltada”. Há seis meses ela passa o dia com a grade fechada. Abre apenas pequenos espaços, suficientes para passar as mercadorias. À noite, a solução para continuar trabalhando em segurança foi mais radical. Ela mandou abrir um buraco na parede, por onde passa, no máximo, uma caixa com 12 cervejas. “As distribuidoras de bebidas e as drogarias são as mais visadas. Eu fecho tudo depois das 20h. É o jeito. Depois de quase dez anos morando aqui, já me acostumei”.
Mais perigosos
Os bairros João Cândido, Vila Nova, Residencial do Bosque e as quadras 200 são apontados pelo presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Gutemberg Carvalho Lima, como as localidades mais perigosas de São Sebastião. Para o administrador regional de São Sebastião, André Valim, a violência local é uma situação difícil. “Surgiram gangues nesses bairros que até hoje se digladiam”, afirma Valim.
Segundo o tenente-coronel Agrício, comandante da Polícia Militar na região, 95% das ocorrências envolvem adolescentes ou jovens.
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