O estádio não estava lotado como as jogadoras temiam. Com o Engenhão vazio, a seleção goleou, com facilidade, o Uruguai, por 4 x 0, na partida que virou um passeio de aposentados e adolescentes no estádio. O jogo abriu a participação brasileira nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, um dia antes da cerimônia de abertura oficial da competição.
Presenciados por somente 4.522 torcedores, os gols foram marcados pela volante Daniela Alves (duas vezes), pela lateral Rosane e pela atacante Cristiane. “Apesar de ter vindo apenas este pouquinho de gente, jogar aqui sempre é diferente. Nossos amigos estavam nos vendo e você fica preocupada em fazer uma coisa boa, algo ainda melhor. O importante é que a pressão não foi tão grande e saímos daqui com a vitória”, afirmou a meia Formiga.
Na véspera da estréia, as jogadoras não escondiam que poderiam sentir a pressão por jogar em casa, caso o estádio estivesse lotado, o que não aconteceu. Com o futebol feminino sem popularidade no país, as atletas, muitas medalha de prata na última Olimpíada, jogaram poucas vezes com um estádio cheio no Brasil. O Engenhão tem capacidade para 45 mil pessoas.
O esforço das brasileiras em campo animou os torcedores. “Como adoro futebol e moro próximo, aproveitei a tarde para ver pela primeira vez as mulheres jogar bola. Adorei. Foi bem melhor do que ficar em casa jogando baralho no computador”, revelou o servidor público aposentado Hugo Alves Filho, de 73 anos. “Não gosto de confusão. Por isto, escolhi vir neste jogo vazio para matar a minha curiosidade sobre o Engenhão”, disse a aposentada Sebastiana Leandro.
O jogo foi assistido por João Havelange, ex-presidente da Fifa, que deu o nome oficial ao estádio olímpico.
Principal obra construída para o Pan, o Engenhão custou cerca de R$ 380 milhões aos cofres da prefeitura do Rio – cerca de seis vezes mais que o previsto inicialmente. A arena foi inaugurada há menos de duas semanas.
Falhas
Apesar de moderno, o estádio apresentou falhas – o sistema de som não funcionou, nem o hino dos dois países tocou. A maioria das lojas não abriu, um dos portões de acesso ficou fechado entre outras gafes. “Xinguei o juiz, vi as pernas da mulherada do Uruguai, que são mais bonitas, e ainda azarei uma vizinha. Valeu a pena”, afirmou Carlos Magno, 19, ao lado de oito amigos. Todos vizinhos do estádio. Na outra partida do dia, goleada dos EUA sobre o Paraguai por 7 x 1.
| Brasil 4 Andréia; Simone Jatobá, Aline, Renata Costa e Rosana Augusto; Daniela Alves, Formiga, Cristiane (Grazielle) e Pretinha (Catia Cilene); Maicon e Tânia (Ester). Técnico: Jorge Barcellos URUGUAI 0 Luciana Gomez; Stefania Maggiolini, Tamy Gares, Carla Arrua (Gabriela Paiva) e Aida; Alejandra Laborda, Angelica Souza (Rusch), Juliana Castro (Ramirez) e Natalia Gonzalez; Lara Far e Carla Quinteroz. Técnico: Juan Duarte Gols: Daniela Alves, aos 2min, Cristiana, aos 15min e Rosana Augusto, aos 35mim do 1º tempo; Daniela Alves, aos 24min do 2º tempo. Estádio: João Havelange, no Rio de Janeiro Árbitro: Ricardo Cerdas (Costa Rica). Público e renda: não divulgados |
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