Ana Clara Arantes
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Para os religiosos, a Quarta-Feira de Cinzas marca o início do tempo de Quaresma, período de 40 dias que antecede a Semana Santa, no fim de março, e remete ao período bíblico em que Jesus Cristo ficou no deserto. Isso significa orações, cerimônias, silêncio, sacrifícios e a tentativa de ser uma pessoa melhor como preparação para a Páscoa.
Na Quaresma, os cristãos costumam abdicar de algo importante, para que assim possam sentir o mesmo que o próximo. Alguns passam esse período sem comer algo que gostam, para que possam sentir o sofrimento daqueles que passam fome. Outros abdicam de vícios, como bebida alcoólica, jogos, televisão e até internet. É o que explica o padre Sérgio Murilo Severino, da igreja São Paulo Apóstolo, no Guará 1. Para ele, toda forma de abdicação é válida, contanto que seja algo que vá fazer falta para quem está abdicando.
“O objetivo é praticar a oração, o jejum e a caridade fraterna. As pessoas que se abstêm de algo devem utilizar o dinheiro que iria para o consumo daquilo para ajudar ao próximo”, reforça o pároco. “A esmola está entre as lições deixadas por Jesus”, completa.
Para Ivan Fonseca, de 34 anos, a Quaresma é tempo de sacrifícios e de se dedicar mais a Deus. O atendente do BRT conta que gosta de vídeo game e, nessa época, se distancia dos jogos. Na casa dele, todos costumam jejuar. “Tenho uma filha de oito anos que se abdica de doces, já minha esposa, para de tomar refrigerante”, diz.
Fortalecimento
Francisco Cirilo, de 57 anos, acredita que o período serve como preparação para Páscoa, reflexão e para buscar se conhecer. “Para fortalecer uma coisa, você precisa perder outra. Abdicar é fortalecer-se espiritualmente. O jejum é deixar algo importante para algo mais importante ainda: o conforto da nossa alma”, explica o administrador.
Francisco relata que em casa, a tradição é que todos tirem algo importante para si nessa época. “Eu e minha esposa tentamos passar para os nossos filhos a importância do jejum”, afirma.