Kamila Farias
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Ohistórico de grilagem de terra é extenso no Distrito Federal. Parcelamentos surgem rapidamente e terrenos públicos e particulares continuam sendo invadidos. A Secretaria de Ordem Pública e Social (Seops) garante que a fiscalização é frequente. No primeiro semestre deste ano, aproximadamente quatro mil derrubadas foram feitas em áreas irregulares. É o que mostra hoje a terceira reportagem da série do Jornal de Brasília sobre a grilagem de terras. As matérias são publicadas sempre às quartas-feiras.
Ainda no primeiro semestre do ano, sete pessoas foram presas e cinco inquéritos foram abertos por parcelamento irregular do solo na Delegacia Especial do Meio Ambiente (Deam). As operações da Seops acontecem diariamente. Ontem, por exemplo, o Comitê de Combate ao Uso Irregular do Solo esteve no Setor Habitacional Arniqueiras retirando muros e cercas. E, na segunda-feira, a operação aconteceu no Paranoá e em Taguatinga, onde foram removidos uma edificação, 1,1 mil metros de cerca e uma ligação clandestina de energia.
As áreas com mais incidência de operações são Sobradinho, Planaltina, Ceilândia, São Sebastião, Itapoã e Águas Claras. “Em Águas Claras, por exemplo, mas especificamente em Arniqueiras, as ações são constantes, pois existe uma ação civil pública que impede a construção de novas edificações. Mas as pessoas não respeitam”, comenta o subsecretário de Defesa do Solo e da Água da Seops, Nelson Muller.
Em Ceilândia, principalmente no Sol Nascente, as ações também ocorrem com frequência. Na semana passada, foram retiradas três fundações de casas, 860 metros de cerca de arame, 40 de cerca em madeira e duas edificações. Moradora da região há um ano, a estudante Kelly Pereira teme que sua casa seja demolida, pois, segundo ela, as equipes chegam sem avisar.
“A gente comprou esse lote assim como todo mundo que mora aqui, mas derrubam do mesmo jeito. Tenho medo de fazerem o mesmo comigo, pois não sei qual é o critério que eles usam. Aproveitam-se por não temos condições financeiras, pois não vejo nenhuma casa sem ser de classe baixa ser derrubada. Tinha uma vizinha que morava aqui com três crianças e derrubaram a casa. Disseram que trariam assistente social, mas ninguém apareceu”, diz.
A Seops garante que o cuidado com a família é a primeira preocupação. Afirma que não há erradicação sem levantamento socioeconômico. “Quando o caso é confirmado, é enviado ofício à Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest) para que faça a abordagem da família e verifique a possibilidade de oferecer benefício”, informa.