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Brasília

Com rosas nas mãos, brasilienses pedem harmonia no centro do DF

Arquivo Geral

16/04/2016 6h00

Ana Ferreira, com agências

redacao@jornaldebrasilia.com.br

Palco de protestos conflituosos nos últimos meses, a Esplanada dos Ministérios recebeu a visita de manifestantes com um propósito diferente na tarde de ontem, a dois dias da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados.

Vestidos com camisas brancas e com rosas nas mãos, 20 pessoas promoveram um ato de paz. Os manifestantes se concentraram por volta das 13h30 na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto e caminharam em direção à barreira erguida na Esplanada.

O protesto foi coordenado pelo movimento Novo Jeito, com origem em Recife (PE). Segundo o dirigente do grupo, que existe há seis anos, Fabio Silva, o objetivo das ações é promover a paz e cuidar do bem-estar do cidadão. “Vivemos um momento em que a intolerância predomina em detrimento da razão. Esse muro erguido na Esplanada é um incentivo à divisão do povo. Precisamos de um olhar crítico sobre essa realidade”, disse.

Para um dos líderes do movimento em Brasília, Samuel Rofergo, as ações de paz são capazes de induzir a reflexão em qualquer situação. “Se queremos um País transformado, precisamos começar internamente”, explicou. 

A jovem Juliene Silva, 20 anos, se identificou com a causa. Ela é representante da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e afirmou que o ato representa a possibilidade de unir a sociedade, ainda que existam pensamentos diferentes: “Esse muro é a materialização da disputa ideológica que vive o  nosso País. Precisamos estar unidos em prol de uma sociedade mais justa, sem distinção de crenças, raças ou ideologias”.

Ensaio e atos por tolerância

O “muro da vergonha” foi levantado para evitar confrontos entre manifestantes favoráveis e contrários ao pedido de impeachment. Poucos dias após estar de pé, a obra recebeu pichações e cartazes com mensagens de tolerância.

Na tarde da última quinta-feira, Victória Junqueira Pollo, 23 anos, fez um ensaio fotográfico. Com a bandeira do Brasil e cartazes com frases como “Não vai ter golpe” e “Fora Dilma”, Victória, na companhia de duas amigas, registrou seu desabafo. “Não é um muro que vai resolver nossos problemas. Precisamos nos unir por um único ideal. É uma causa superior: nosso País”, ponderou.

Na noite do mesmo dia, um grupo de ativistas projetou imagens da queda do Muro de Berlim nas duas faces da divisão erguida para separar diferentes ideologias. Com a hashtag #chegademuros, o objetivo da ação foi registrar a intolerância e incapacidade de conviver com harmonia que existe em ambos os lados. 

Na internet, o muro foi alvo de  memes. Em sua maioria, as mensagens criticam a estrutura e pedem por mais tolerância na sociedade.

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