Matheus Venzi
Matheus.venzi@grupojbr.com
Aproximadamente 16 famílias que moram em um prédio na rua 8 de Vicente Pires foram obrigadas a deixar suas residências na manhã desta sexta-feira (27). A Defesa Civil interditou o edifício por conta de problemas estruturais, como rachaduras em vigas, pilares e até na laje do local. Segundo a Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis), o prédio já foi notificado 30 vezes. A construção, de cinco andares, fica na chácara 210 e possui 140 apartamentos.
Segundo o subsecretário de Proteção e Defesa Civil do DF, Sérgio Bezerra, o órgão já esteve no local cinco vezes para orientar os moradores sobre a interdição. “Antes disso, já havíamos notificado e dado um prazo. Esse prazo de 15 dias venceu. Como não obtivemos a resposta sobre o laudo técnico de segurança, tomamos a decisão de interditar o local”, expõe Sérgio. Segundo ele, os proprietários poderão retornar ao local desde que correções sejam feitas.
- Foto: Breno Esaki
- Foto: Breno Esaki
- Foto: Breno Esaki
- Foto: Breno Esaki
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Na opinião de Sérgio, a obra foi mal feita e poderia ter sérios riscos de desabamento. “Com a chegada das chuvas, os problemas poderiam piorar. A umidade pode infiltrar pelas rachaduras e danificar ainda mais as ferragens do prédio”, reconhece. Caso as correções não sejam feitas, o órgão solicitará a demolição da edificação. Além das notificações, a Agefis informou que a construção já possui mais de R$ 123 mil em multas acumuladas.

Almir Honorato planejava se mudar em breve ao apartamento. Foto: Breno Esaki
O conferente Almir Honorato, 36 anos, pagou R$ 120 mil em um apartamento de 68m², com dois quartos. Morando de aluguel em uma rua próxima, ele planejava se mudar para o imóvel com a família em três meses, mas foi surpreendido pela interdição. “Eu acompanho a obra desde o começo, em meados de 2013. No início, não tinha problema e só agora com o prédio quase pronto é que foi acontecer isso [os problemas na estrutura]”, relata. Apesar da situação, Almir ainda tem esperança de se mudar para o local. “Nós, que compramos esses imóveis na esperança de ter a casa própria, não somos os culpados. Os verdadeiros culpados são as pessoas que construíram esse prédio de maneira irregular”, desabafa.
A aposentada Maria Lucia Rosio, 62 anos, mora em uma casa ao lado da edificação e também foi prejudicada. “Depois da construção desse prédio, começaram a aparecer rachaduras na minha casa inteira, caiu a lateral do muro e infiltrou água”, diz. Ela afirma que não consegue dormir à noite por causa da sensação de insegurança. “Você acha que eu consigo ficar tranquila desse jeito?”, questiona a aposentada. Maria não culpa os moradores dos apartamentos. “Eles são vítimas, assim como eu. Os culpados a gente já sabe muito bem quem são”, critica.
Os advogados dos moradores, juntamente com o advogado do construtor, fizeram um acordo e aguardam uma autorização da administração para tomar as medidas cabíveis para que os moradores possam voltar ao prédio. Eles precisam apresentar um laudo com os problemas identificados e com as soluções, para depois poder aplicá-las.
A Defesa Civil propôs que o laudo dos problemas e das soluções estruturais sejam apresentados até a quarta-feira (1º). Agora, os moradores esperam uma autorização da Administração Regional de Vicente Pires para entrar no prédio e realizar os procedimentos necessários. A edificação foi interditada após denúncia da administração.
Há uma semana, obra irregular desabava
A ação ocorreu uma semana após uma obra irregular desabar também em Vicente Pires. Na ocasião, um homem morreu soterrado. Embargada, interditada, intimada a ser demolida e multada a mais de R$ 13 mil, a obra era tragédia anunciada. Segundo a Agência de Fiscalização (Agefis), o prédio sofreu autuações desde dezembro de 2016, quando ainda estava no segundo pavimento.








