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Brasília

Com os rodoviários em greve, o jeito foi pedir carona ou ir a pé

Arquivo Geral

06/07/2014 9h36

Os torcedores argentinos que vieram assistir ao jogo no estádio Mané Garrincha ontem, tiveram que lidar com outro tipo de apreensão: a incerteza de como se locomover dentro da cidade. Em função da greve dos rodoviários, iniciada sexta, eles tiveram de ir ao estádio a pé. 

No segundo e sofrido dia de greve dos ônibus, não apenas os torcedores como toda a população ficou desassistida pelo transporte público. A solução do DFTrans, até a resolução do impasse, foi remanejar veículos que atendem a Região Metropolitana.

Turistas pedem carona

“Soube da paralisação depois de chegar à parada. Tive de ligar para meu patrão vir me buscar”, reclamou a cuidadora de idosos, Isabel dos Santos Novaes, de 34 anos. Ela já aguardava há mais de uma hora em um ponto de Sobradinho quando foi abordada pela reportagem.

Situação parecida viveram os argentinos que acamparam no estacionamento da Granja do Torto. No dia da partida de sua seleção, alguns desavisados esperaram na parada em frente ao local, até serem avisados sobre a greve. O Jornal de Brasília flagrou dois torcedores argentinos conseguindo carona com um senhor brasileiro que passava pelo local. Foi a única solução para a maioria.

O casal paraibano Geraldo e Fátima Medeiros, de 56 anos, chegou a Brasília e foi direto à Rodoviária do Plano Pilot, na expectativa de pegar ônibus para ir ao Estádio Nacional. “Acho que vamos andando mesmo. Não sabíamos dessa paralisação”, comentou o marido.

“Sou favorável a manifestações , mas acho que o prejuízo causado (pela greve de ontem) não vai ser revertido em benefício da classe trabalhadora”, opinou Geraldo.

Perguntas que parecem não ter respostas


Ainda na Rodoviária, um ato em apoio à greve dos rodoviários foi marcado para às 11h, mas não contou com muitos adeptos.

Segundo Edielson Santos, representante do movimento Rodoviários em Luta, opositor à atual direção do sindicato, a militância não pode comparecer justamente pela falta de ônibus, já que muitos moram em regiões afastadas e não têm carro.

“Estive mais cedo no Palácio doBuriti, pois haviam dito que aconteceria uma reunião às 9h, mas não havia ninguém”, denunciou. Ele acusou a diretoria de não atender aos interesses da categoria e avisou: “Pode haver rebelião da base e, se preciso for, passaremos pela direção para conseguir nosso direito”. Edielson ressaltou que a paralisação partiu dos próprios rodoviários.

Na última sexta, a reportagem conversou com Saulo Araújo, um dos diretores, e ele alegou apoiar o movimento grevista, que teria sido “espontâneo”. A tensão política que permeia a categoria, no entanto, parece aumentar.

Já o DFTrans respondeu que “ainda estava em negociação” e não deu mais detalhes até o fechamento desta edição. Ou seja, a previsão é de que a greve continue hoje.

Muitos dos torcedores que deixaram o estádio ontem seguiram a pé ou de carona até a rodoviária.

Emergência

De acordo com o GDF,  no Parque da Cidade foram disponibilizados 34 veículos para levar os torcedores até os bolsões de estacionamento .

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