Elaine Siqueira
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“Jovem casa de velhas tradições”. É com essa frase que o Colégio Militar de Brasília comemora seus 34 anos de fundação. Uma grande festa de solenidade foi marcada para homenagear estudantes e professores, que são vistos como destaques por seus méritos na trajetória escolar.
Em meio a grandes emoções, abraços fortes e às vezes intermináveis, estavam presentes na comemoração alguns ex-alunos da primeira turma do colégio, formada em 1982. Com fisionomias bem diferentes, muitos dos presentes não acreditavam no que viam dos outros colegas de classe, após tantos anos.
Depois da formatura, muitos perderam o contato, como ocorre muitas vezes. Contudo, em meio a uma turma de mais de cem alunos, um deles resolveu reaproximar os amigos por meio de e-mail. A partir daí, decidiram marcar um encontro memorável, e a data coincidiu com o aniversário do colégio.
Flávio Neves é um dos ex-alunos desta turma que ontem teve a oportunidade de relembrar seus tempos de aula, sentados em carteiras e com a presença de um professor de matemática. “Depois da nossa formatura, hoje (ontem) é a primeira vez que nos encontramos, assim com uma boa parte da turma. Ainda está faltando muita gente, o grande organizador deste encontro está no Rio de Janeiro e outros não conseguimos reunir aqui por questões de horário de trabalho e afins”, diz Flávio, que também garantiu ter sido um ótimo aluno.
Alguns dos ex-alunos puderam compartilhar a emoção de estar presente na comemoração com seus próprios filhos, que hoje também estudam na instituição. O integrante da turma de 1982 Roberto Carlos, 48 anos, fez questão de compartilhar a alegria com seu filho, Samuel Venzi, 15 anos, que cursa o 1º ano do Ensino Médio, na instituição.
Por coincidência ou não de estudar na mesma escola do pai, o adolescente assegura não ter sido pressionado na escolha de onde estudar. “Em momento algum meu pai me forçou a algo. Eu quis entrar no Colégio Militar até mesmo pela curiosidade do tão falado jeito de ensinar. Muitas pessoas acham que o ensino aqui é rigoroso”, conta o jovem, que atualmente participa da banda marcial.
Com a mesma opinião, Maria Luíza, de 14 anos, enxerga seu bom futuro escolar desde o momento em que ingressou no CMB. “Para entrarmos aqui, há uma prova. Os que passam provam ter ótimos conhecimentos, e os que não passam podem ter outras chances. Provei a mim mesma que tenho capacidade de obter e repassar os conhecimentos aprendidos aqui”, diz ela, que está cursando o 9º ano.
Referência de ensino
De acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Colégio Militar, sob gestão do Exército, é a 21ª melhor instituição do país entre as 30 mil escolas pesquisadas, sendo que no DF segue como destaque de referência de ensino nas avaliações do MEC.
O subdiretor de ensino, coronel Samuel, garante o sucesso das notas e classificações pelo diferencial do ensino aplicado. “Mantemos uma tradição desde que o CMB foi fundado em Brasília. De lá para cá, o colégio tornou-se referência em termos de educação básica e até em corpo docente”, diz o coronel.
Vestibular
O reflexo dessa boa preparação dos alunos está naqueles que passam no vestibular ainda cursando o 2º ano do Ensino Médio. “Em média, são 270 alunos anualmente que passam em vestibulares com boas notas”, contabiliza Samuel.
Para surpresa do próprio colégio, a maioria dos ex-alunos não segue carreira militar, como é o esperado. Entre as profissões estão as mais diversas, desde engenheiros a servidores públicos.