O Comitê Olímpico Internacional (COI) garantiu nesta sexta-feira que as autoridades chinesas darão total liberdade aos jornalistas que farão a cobertura do Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, apesar das reclamações de um sindicato de direitos da mídia a respeito de restrições à liberdade da imprensa.
O grupo Repórteres sem Fronteiras acusou a entidade máxima do esporte olímpico de fazer vista grossa ao suposto desrespeito do governo chinês aos direitos dos jornalistas. Em uma carta endereçada ao presidente do COI, Jacques Rogge, o sindicato denunciou um plano das autoridades do país asiático para controlar os mais de dez mil repórteres que devem cobrir as Olimpíadas.
O secretário do Repórteres sem Fronteiras, Robert Menard, revelou que as autoridades chinesas pretendem criar um banco de dados com informações a respeito dos jornalistas e instituir “deportação sumárias” dos profissionais, mesmo que estes estejam credenciados para o evento.
Além disso, o francês também denunciou que os departamentos de segurança dos Jogos Olímpicos foram instruídos para identificar grupos na China e no exterior que pretendem organizar manifestações contra o regime comunista do país. Com essas acusações, o grupo enviou uma carta ao presidente Rogge e teve algumas reuniões com dirigentes do COI em Lausanne, na Suíça, mas disse que nenhuma medida concreta foi tomada.
“A organização que vocês dirigem constantemente chama a atenção para o progresso nos trabalhos da infra-estrutura dos Jogos de Pequim, mas não fez nenhum pronunciamento público a respeito da falta de liberdade de expressão, que prejudicará o trabalho da mídia e a transparência necessária para os Jogos”, disse a Repórteres sem Fronteiras. “Sr. Rogge, é seu silêncio que, infelizmente, tornou todos estes abusos possíveis”, acusou o grupo.
No entanto, respondendo às insinuações, o COI disse que os organizadores dos Jogos Olímpicos de 2008 prometeram desde o início que não haveria restrições aos jornalistas e que os dirigentes chineses repetidamente asseguraram que a mídia terá as mesmas liberdades que teve no último evento, em 2004, em Atenas.
“Um grande acordo está sendo feito entre o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Pequim (BOCOG) e as autoridades chinesas para ratificar estas garantias”, disse a porta voz do COI, Emmanuelle Moreau. “Ainda há trabalho a ser feito, mas o COI acredita na boa vontade dos chineses de prover o ambiente necessário para os 20 mil repórteres que estarão nos Jogos”, completou.
Segundo o COI, houve um pouco de confusão em relação à questão. “Nos Jogos, todos os detalhes da mídia serão catalogados em um banco de dados para facilitar o processo de credenciamento”, disse Moreau. “É simplesmente natural, é o mesmo que foi feito nas edições anteriores dos Jogos. Este procedimento não será novidade nas Olimpíadas de Pequim e continuará sendo usado nas edições futuras do evento”, completou.