A equipe multidisciplinar da Clínica do Sono do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), composta por psicólogo, pneumologista, neurologista e otorrinolaringologista, alerta a população para os perigos dos distúrbios do sono.
Especialistas do HRAN afirmam que o sono de má qualidade tem ligação direta com o aumento do risco de obesidade. Com base em exames realizados em 2013 no hospital, os profissionais que tratam os distúrbios do sono constataram que os obesos têm no histórico péssimas noites de sono somadas aos maus hábitos na alimentação.
A indicação dos médicos é fazer exames regularmente para de forma preventiva chegar aos diagnósticos necessários para tratar as doenças que têm como uma das origens a falta do sono.
Um recente estudo realizado pela Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, aponta que 28% dos americanos dormem menos que seis horas por dia e 35% são obesos. A informação traduz a relação entre os hábitos.
Segundo a Dra. Anita Laboissière, endocrinologista do HRAN, tão importante quanto se alimentar bem e fazer exercícios físicos com frequência é dormir bem. “Sono de má qualidade é muito grave e interfere sim nos fatores que causam a obesidade”, afirmou.
Para a pneumologista e especialista em doenças do sono Heloisa Glass, o ideal é que se durma, em média, oito horas por noite e que dormir mais ou menos do que isso pode ser prejudicial. “Pesquisas norte-americanas comprovaram que pessoas que dormem menos que sete horas ou mais que nove horas por noite registram uma taxa de mortalidade maior”, informou.
STRESS – O hormônio cortisol, conhecido como o hormônio do stress, é responsável por manter o corpo em estado de alerta. Segundo Heloisa, quando ele está em níveis normais, é extremamente importante para o funcionamento do corpo. “Com o cortisol baixo, o corpo fica mais sensível à dor e desenvolve um cansaço acima do normal”, explicou a especialista.
Porém, em níveis altos, o cortisol mantém o corpo em constante estado de alerta, sem espaço para o descanso da noite. Isso gera a insônia, que é quando o corpo não consegue descansar a musculatura.
Segundo a Dra. Anita, para que o sono seja “reparador” é necessário que o cortisol abaixe significativamente no momento do descanso do corpo. “É como se o corpo funcionasse com apenas uma pequena quantidade da capacidade total. Esse é o ‘sono profundo’, que repara o stress do dia a dia”, explicou.
Há ainda o hormônio conhecido como melatonina. Quando o dia acaba e o sol se põe, a ausência da luz naturalmente inibe a produção desse hormônio no corpo, o que é, segundo Heloisa Glass, um “sinal para dormir”. Os atuais hábitos noturnos, em especial da faixa etária que vai dos 16 aos 38 anos, impedem o que deveria ser a ação natural do corpo à noite
APNEIA DO SONO – Outra causa da insônia é a apneia do sono (também conhecida como apneia noturna). Ela ocorre quando as vias respiratórias são obstruídas impedindo a passagem de ar por algum tempo. Isso faz com que a pessoa acorde subitamente algumas vezes na noite, mantendo, assim como quando há o excesso de cortisol, o corpo em estado de alerta e o sono não é profundo. É comum não se lembrar desse despertar, assim como não se lembrar de todos os sonhos da noite. A apneia noturna é mais comum em homens, idosos e pessoas acima do peso.
PREVENÇÃO – Não existe uma única forma de se tratar a insônia, assim como a obesidade. Cada caso deve ser tratado de forma individual. Alguns hábitos, como praticar atividades físicas, comer regularmente, seguir uma dieta proposta por nutricionista, dormir oito horas por noite e evitar os excessos, são dicas fundamentais que, segundo as especialistas, se fossem devidamente seguidas, seriam evitados diabetes, hipertensões, obesidades e outros problemas envolvidos na falta do sono de qualidade.