Menu
Brasília

Cidade Estrutural completa 22 anos entre avanços e desafios

Criada no entorno do antigo lixão, região reúne cerca de 55 mil moradores

Redação Jornal de Brasília

28/01/2026 18h27

Foto: Agência Brasília

Foto: Agência Brasília

Por Carliane Gomes

A Cidade Estrutural comemorou, nesta terça-feira (27), mais um ano de existência marcada por resistência, luta pelo direito à moradia e permanência no território. Nascida a partir da ocupação de catadores no entorno do antigo lixão de Brasília, a região administrativa chega aos 22 anos com avanços significativos em infraestrutura, mas ainda enfrenta desafios históricos que impactam o cotidiano da população.

A formação da Estrutural está diretamente ligada ao crescimento de uma ocupação irregular nas proximidades do aterro sanitário do Distrito Federal. Em busca de sustento, famílias passaram a se instalar na área, que, ao longo dos anos, se expandiu apesar das tentativas de remoção. Em janeiro de 2004, o território foi oficialmente reconhecido como Região Administrativa XXV, passando a integrar o Setor Complementar de Indústria e Abastecimento (SCIA). Atualmente, a região engloba a Cidade Estrutural e o bairro Santa Luzia, reunindo cerca de 50 a 55 mil moradores.

Segundo o administrador regional, Alceu Prestes, a história da cidade antecede o reconhecimento oficial. “A Estrutural iniciou desde a construção de Brasília, com o antigo lixão. Como região administrativa, são 22 anos, mas a trajetória começou muito antes disso”, afirmou. Para ele, o aniversário simboliza a consolidação de um território construído a partir da resistência popular. “É uma cidade de pessoas lutadoras, resilientes, que enfrentaram muitos embates e conseguiram se fixar aqui”, destacou. De acordo com o administrador, a região vive atualmente um dos momentos mais expressivos em termos de obras e investimentos públicos. Estão em andamento a construção da Unidade Básica de Saúde (UBS 3), de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e de duas novas escolas. “Hoje, a Estrutural é praticamente um canteiro de obras”, disse.

Outro ponto destacado pela administração regional é o processo de urbanização do bairro Santa Luzia, onde vivem cerca de 20 mil pessoas. Segundo Alceu Prestes, a área recebe obras de implantação de redes de água e esgoto, drenagem, pavimentação e iluminação pública. “Essa é a maior demanda da cidade e uma missão histórica. Estamos urbanizando uma área que passou mais de 20 anos em situação de vulnerabilidade”, afirmou. Neste ano, não haverá programação festiva financiada pelo poder público para marcar o aniversário da cidade. A decisão, segundo a administração regional, está relacionada à priorização de investimentos em infraestrutura. “Com tantas carências que a cidade ainda tem, sou contrário a gastar recursos com grandes festas. A prioridade precisa ser investir em água, esgoto, escolas e postos de saúde”, explicou o administrador. A administração informou que ações e eventos realizados ao longo do ano, em parceria com outras secretarias, serão vinculados à comemoração dos 22 anos da região administrativa.

Morador da Cidade Estrutural há 33 anos, o aposentado Manoel Santana, de 63 anos, acompanhou de perto o surgimento da região ainda no período da ocupação irregular, quando predominavam barracos e faltavam serviços básicos. Segundo ele, houve avanços importantes ao longo dos anos, principalmente na infraestrutura. “Aqui era uma invasão. Depois vieram os calçamentos, muita coisa foi feita. Em vista do que era, melhorou”, afirmou. Apesar disso, Manoel avalia que problemas antigos persistem, especialmente na limpeza urbana. “O que falta mais na cidade é a limpeza. Não está boa”, disse. Para ele, a responsabilidade também é da população. “As pessoas precisam colaborar para manter a cidade organizada”, completou. Sobre o aniversário da Estrutural, ele avalia que a data ainda não representa, para todos, um motivo de comemoração. “Melhorou um pouco, mas ainda precisa de muitas coisas de infraestrutura nas ruas”, concluiu.

Com uma percepção mais positiva, a auxiliar de limpeza Maria Rita Sabiá, de 56 anos, mora na Cidade Estrutural há cerca de 20 anos e afirma que as transformações na região são evidentes. “Hoje está uma cidade linda, maravilhosa. Para mim, é ótimo morar aqui”, disse. Ela destaca a localização e o acesso a serviços como pontos fortes. “É pertinho de tudo. Tem escola, transporte, posto de saúde. Melhorou muita coisa”, afirmou. Para Maria Rita, o principal desafio atualmente é a segurança pública, especialmente em relação a pequenos furtos. “O que precisa melhorar é a segurança com mais policiais nas ruas. Ainda tem muito furto de celular e bicicleta”, relatou. Mesmo assim, ela considera que há motivos para celebrar. “Com certeza vale a pena comemorar. Eu amo morar aqui”, concluiu.

Já a aposentada Maria Montes, de 66 anos, moradora da Cidade Estrutural há quatro anos, reconhece avanços, mas faz uma avaliação mais cautelosa sobre a oferta de serviços públicos. “A cidade melhorou muito, mas ainda está razoável. A segurança deixa a desejar e a saúde tem dificuldades”, afirmou. Segundo ela, apesar das melhorias, a região ainda enfrenta desigualdades em relação a outras áreas do Distrito Federal. “Em vista do que era, está melhor, mas ainda estamos atrasados”, avaliou.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado