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Brasília

Ciclofaixas de Águas Claras ainda geram polêmica

Arquivo Geral

28/02/2016 7h00

Ingrid Soares

ingrid.soares@jornaldebrasilia.com.br

As ciclofaixas de Águas Claras continuam causando polêmica. No ano passado, elas foram demarcadas para ligar pontos entre as avenidas Castanheiras, Araucária  e vias transversais. O Departamento de Trânsito do DF (Detran) colocou cones enquanto a pintura não era feita e fez uma espécie de observação provisória para verificar a adaptação dos motoristas e usuários. A equipe do JBr. percorreu as ruas da cidade e constatou que os cones haviam sido retirados.

Agora, os ciclistas cobram a sinalização definitiva. Em setembro  passado, o projeto de Mobilidade Ativa contou com consultas públicas para debater o projeto. A Associação de Moradores e Amigos de Águas Claras (Amaac) se posicionou a favor da ciclofaixa, desde que ela fosse instalada ao longo da Avenida Boulevard devido ao trânsito menos intenso. 

Na época, a associação fez medição e verificou que a ciclofaixa, que deveria ter 1,80 m, tinha apenas 1,25 m. A faixa de veículos pesados, que deveria ter, no mínimo, 3,45 m, recomendáveis 3,80 m, teria 3,25 m, colocando os ciclistas em mais de 40 entradas de rua, cruzamentos e saídas de garagem.

“A preocupação é com a segurança do ciclista e com o motorista que ficará espremido na via. Nós pedimos ao Detran que nos apresentasse um documento que provasse que o projeto era seguro e que estava dentro das normas legais. Fizeram isso em dezembro. Como constatamos antes, o tamanho da faixa não é compatível com o fluxo. Acreditamos que não vai funcionar como está. Mas vamos esperar para ver”, afirma o vice-presidente da Amaac, Roman Cuattrin.

Segundo ele, é importante ressaltar que a ciclofaixa sozinha não resolve a questão e que, para dar certo, o projeto deverá ser implantado em sua totalidade.

Ineficaz

O morador Rodolfo Costa, 28, reclama que, enquanto o projeto esteve em período experimental, não demonstrou eficácia. “A distância ficou pequena entre as faixas, e os cones só serviram para confundir. Os motoristas com um pouco mais de orientação tentavam dar o máximo de espaço por conta própria aos ciclistas. Mas acredito que, quando pintar, vai ficar difícil trafegar. Se os cones foram colocados para os motoristas terem uma noção do que está por vir, acredito que, da maneira como fizeram, não funcionou. Muitos nem sabiam do que se tratava”, relata.

População quer finalização do projeto na região

Os ciclistas e parte dos moradores defendem que bicicletas, carros e ônibus podem andar lado a lado em Águas Claras, e que o projeto deve ser finalizado o quanto antes. Para a  coordenadora da ONG Rodas da Paz, Renata Florentino, a implantação se faz cada vez mais urgente. 

“Precisam garantir o direito de acesso também a quem caminha ou usa a bicicleta, não só para quem tem carro. Recurso tem, não falta mais nada, apenas que deem a ordem de pintar. É necessário que isso aconteça o mais rápido possível. O trânsito aqui é muito congestionado, e a bicicleta é uma forma de fugir disso. A demora em sinalizar demonstra lentidão e irresponsabilidade. O governo está sendo omisso. Enquanto isso, os ciclistas continuam sem proteção”, reclama.

Dualidade

Segundo o morador e ciclista Erick Zingler, 37 anos, é necessário que as pessoas percebam que há uma dualidade. “As ciclofaixas cabem e se engana quem diz que aqui só se anda de carro e que não existem ciclistas, muito pelo contrário. Tenho uma loja de bicicletas e posso afirmar que ao menos mil dos meus clientes são de Águas Claras e a utilizam como meio de transporte. Para tudo o que eu faço aqui, uso uma bicicleta para me deslocar”, afirma.

Até o fechamento desta edição, a administração de Águas Claras não havia se pronunciado. A assessoria de comunicação do Detran informa que cem cones foram colocados na Avenida Araucária há um mês. Mas a sinalização era provisória e visava melhor dimensionar a circulação das bicicletas para dispor das condições adequadas para a segurança viária no que diz respeito às características do espaço cicloviário a ser compartilhado pelos ciclistas.

A sinalização horizontal definitiva a ser feita na via aguarda reavaliação da engenharia de tráfego, inclusive no que concerne a secagem do asfalto. Ainda não há previsão para pintura das vias.

Versão oficial

A Novacap informou que é responsável pela colocação dos tachões ao longo das ciclofaixas e que somente serão colocados após a pintura das faixas e da sinalização horizontal, que serão feitas pelo Detran/DF.

A Secretaria de Gestão do Território e Habitação (Segeth) explicou que as ciclofaixas fazem parte do Projeto Mobilidade Ativa, voltado para a complementação dos deslocamentos a partir das estações do metrô em direção aos Polos Geradores de Viagens, a pé e em bicicleta, dependendo das distâncias e dos tempos de percurso.

Nesse processo, a cidade foi escolhida como área piloto devido às características de alta densidade populacional, continuidade do espaço urbano e ausência de malha cicloviária.  Serão utilizados para as ciclofaixas os recursos disponíveis nos contratos de sinalização horizontal e vertical do Detran-DF. Para o restante da malha cicloviária, os projetos executivos ainda estão em desenvolvimento e não há estimativa orçamentária.

Saiba mais

De acordo com a Secretaria de Gestão do Território e Habitação (Segeth), o Projeto Mobilidade Ativa estabelece ampla malha cicloviária para Águas Claras e compreende as modalidades:

Ciclofaixas nas avenidas Castanheiras (3,5 km), Araucárias (3,5 km), Boulevares Sul (3 km) e Norte (3 km), Pau-Brasil, Pitangueiras, Parque Águas Claras (entre as avenidas Castanheiras e Águas Claras (1,1 km);

Projeto Executivo de ciclovias nas entradas de Águas Claras, avenida Parque Águas Claras, ruas Manacá e Copaíba,  e trecho da Avenida   Araucárias (perto do Pistão Sul) – 7,3 km;

Calçadas compartilhadas e ciclovias na Rua Tamboril, avenida Sibipiruna, Jacarandá Copaíba e Jequitibá;

Zonas 30 (ruas locais com velocidade máxima de 30 km) onde o carro e a bicicleta compartilham a faixa de rolamento em várias ruas (4,2 km).

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