Com as chuvas frequentes no Distrito Federal, quintais e terrenos molhados com vegetação alta se tornam ambientes ideais para a proliferação do caramujo africano, uma espécie invasora que pode trazer riscos à saúde humana se não for manejada adequadamente.
De acordo com o biólogo Israel Moreira, da Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival) da Secretaria de Saúde (SES-DF), o aumento da umidade favorece a atividade do molusco. Para evitar a infestação, é essencial manter quintais limpos, com vegetação baixa e livres de entulhos e restos de construção. A coleta deve ser feita diariamente ou ao menos três vezes por semana, especialmente após chuvas ou em horários mais frescos, quando os animais estão mais ativos.
Ao encontrar o caramujo, os moradores podem realizar a coleta usando luvas ou sacos plásticos, colocando os animais em baldes ou latas metálicas. É importante procurar pelos ovos, que são brancos ou amarelados, semelhantes a sementes de mamão, e costumam estar semienterrados em locais úmidos, sob folhas ou entulhos. Tanto as conchas quanto os ovos devem ser esmagados com martelo ou madeira para evitar que acumulem água e sirvam de criadouro para o mosquito Aedes aegypti, transmissor de dengue, chikungunya e zika.
Após o período de drenagem, os caracóis e ovos devem ser colocados em sacos resistentes para descarte no lixo comum ou enterrados em valas de 80 cm a 1,5 metro de profundidade, revestidas com cal virgem, longe de lençóis freáticos, cisternas ou poços artesianos.
A população pode acionar a Dival pelo telefone (61) 3449-4427 ou pelo Disque-Saúde 160 para identificação e orientação sobre o manejo, distinguindo o caracol africano das espécies nativas.
O caramujo africano, ou Achatina fulica, é hermafrodita e pode se reproduzir de duas a cinco vezes ao ano, depositando de 50 a 400 ovos por ciclo. Sua concha é marrom-escura com listras esbranquiçadas, podendo atingir 15 cm, com abertura de borda afiada e ponta alongada na traseira, diferindo das conchas nativas do gênero Megalobulimus, que são marrom-claras a rosadas.
Os riscos à saúde incluem a transmissão de doenças como meningite eosinofílica, que inflama as membranas cerebrais, e enterite eosinofílica, uma doença crônica no intestino delgado, quando o molusco infectado por vermes contamina alimentos via muco ou larvas. A infecção ocorre pela ingestão de larvas em frutas, verduras e hortaliças, ou ao tocar o animal sem proteção e levar as mãos à boca ou olhos sem higiene.
Para prevenir, recomenda-se deixar os alimentos por 30 minutos em solução de uma colher de sopa de água sanitária por litro de água, seguida de enxágue em água corrente antes do consumo.