Menu
Brasília

Chuvas alertam para presença de caramujo africano no DF

Espécie invasora representa riscos à saúde, como meningite e enterite eosinofílicas, em áreas úmidas após as precipitações.

Redação Jornal de Brasília

11/03/2026 12h24

caramujo

Ao identificar o caracol africano em casa, o próprio morador pode fazer a coleta, sempre utilizando luvas ou sacos plásticos | Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

Com as chuvas frequentes no Distrito Federal, quintais e terrenos molhados com vegetação alta se tornam ambientes ideais para a proliferação do caramujo africano, uma espécie invasora que pode trazer riscos à saúde humana se não for manejada adequadamente.

De acordo com o biólogo Israel Moreira, da Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival) da Secretaria de Saúde (SES-DF), o aumento da umidade favorece a atividade do molusco. Para evitar a infestação, é essencial manter quintais limpos, com vegetação baixa e livres de entulhos e restos de construção. A coleta deve ser feita diariamente ou ao menos três vezes por semana, especialmente após chuvas ou em horários mais frescos, quando os animais estão mais ativos.

Ao encontrar o caramujo, os moradores podem realizar a coleta usando luvas ou sacos plásticos, colocando os animais em baldes ou latas metálicas. É importante procurar pelos ovos, que são brancos ou amarelados, semelhantes a sementes de mamão, e costumam estar semienterrados em locais úmidos, sob folhas ou entulhos. Tanto as conchas quanto os ovos devem ser esmagados com martelo ou madeira para evitar que acumulem água e sirvam de criadouro para o mosquito Aedes aegypti, transmissor de dengue, chikungunya e zika.

Após o período de drenagem, os caracóis e ovos devem ser colocados em sacos resistentes para descarte no lixo comum ou enterrados em valas de 80 cm a 1,5 metro de profundidade, revestidas com cal virgem, longe de lençóis freáticos, cisternas ou poços artesianos.

A população pode acionar a Dival pelo telefone (61) 3449-4427 ou pelo Disque-Saúde 160 para identificação e orientação sobre o manejo, distinguindo o caracol africano das espécies nativas.

O caramujo africano, ou Achatina fulica, é hermafrodita e pode se reproduzir de duas a cinco vezes ao ano, depositando de 50 a 400 ovos por ciclo. Sua concha é marrom-escura com listras esbranquiçadas, podendo atingir 15 cm, com abertura de borda afiada e ponta alongada na traseira, diferindo das conchas nativas do gênero Megalobulimus, que são marrom-claras a rosadas.

Os riscos à saúde incluem a transmissão de doenças como meningite eosinofílica, que inflama as membranas cerebrais, e enterite eosinofílica, uma doença crônica no intestino delgado, quando o molusco infectado por vermes contamina alimentos via muco ou larvas. A infecção ocorre pela ingestão de larvas em frutas, verduras e hortaliças, ou ao tocar o animal sem proteção e levar as mãos à boca ou olhos sem higiene.

Para prevenir, recomenda-se deixar os alimentos por 30 minutos em solução de uma colher de sopa de água sanitária por litro de água, seguida de enxágue em água corrente antes do consumo.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado