Menu
Brasília

Chiquinho pode ser retirado do ICC, na UnB. Situação comove estudantes e docentes

Arquivo Geral

13/11/2015 6h00

Ingrid Soares

ingrid.soares@jornaldebrasilia.com.br

Figura histórica da Universidade de Brasília (UnB). Esse é Francisco Joaquim de Carvalho, 56 anos, mais conhecido pelos alunos e professores do Instituto Central de Ciências (ICC) Norte, o famoso Minhocão, como Chiquinho. Há 40 anos, é dono de uma livraria especializada em Ciências Humanas. Mas uma reforma proposta pela reitoria está a ponto de retirá-lo de lá. Para tentar impedir que o livreiro saia do local, estudantes e professores solidários à situação criaram, no Facebook, a campanha Chico Fica. A página possui mais de 3 mil curtidas.

Tudo começou na última terça- feira, quando  o simpático homem recebeu a visita do reitor Ivan Camargo. Em uma conversa amistosa e séria ao mesmo tempo, o reitor perguntou a Chiquinho quando ele vai deixar o ponto e aceitar a transferência para uma nova ala, também na UnB. 

Emocionado, Chiquinho contou como foi o encontro: “Apesar de essa conversa acontecer há algum tempo, eu fiquei sem chão. Aqui é minha história, minha identidade. Vou morrer de tristeza se me tirarem. Nesse lugar, sou feliz. Gostaria de ficar nesse espaço até o último dia da minha vida e continuar prestando o meu serviço à comunidade e à sociedade”, desabafa.

Ele se orgulha de dizer que sempre fez todo o trabalho. “Consigo atender sozinho a demanda dos alunos. Não deixo irem embora de mãos vazias. Também nunca faltei um dia de trabalho. Tenho amor à minha profissão. Sou um incansável livreiro em meu ofício”, revela.

A aluna Francinete Leão, 40 anos, cursa Filosofia e sempre que precisa de uma obra sabe a quem recorrer: à Livraria do Chico. “Ele é maravilhoso, o atendimento é dez. Sou contra a retirada dele daqui. Esse ponto é estratégico. Deviam reconhecer sua importância e reformar a estrutura que hoje ele dispõe”, afirma.

Seu Chico é mesmo uma figura conhecida. Para o estudante Arthur Bernardo, 20 anos, é difícil achar alguém que não o conheça: “Todo mundo sabe quem ele é. Ele acompanha há várias gerações os estudantes e tem um apelo cultural. Chiquinho é patrimônio, faz parte da UnB. Não entendo porque não o apoiam e o deixam onde está”.

“ICC não é um espaço de comércio”

O assessor da reitoria, professor Ebnezer Nogueira, conta que, assim como Chiquinho, vários comerciantes estão na mesma situação. “Alguns já foram retirados, outros insistem em ficar. Foram construídos três módulos de atividades e serviços comunitários, onde foram gastos milhões. No caso do Chiquinho, o pavimento para onde queremos levá-lo fica a cem metros de distância. Ao lado do bandejão. Essa é a melhor opção para ele. O Tribunal de Contas da União considerou que o ICC Norte e Sul não é um espaço de comércio, mas, acadêmico. O reitor não pode mais renovar os contratos deles”, explica o professor. 

Para o dia 24 deste mês, ao meio-dia, um abraço coletivo é organizado na livraria, onde haverá um abaixo-assinado. Cerca de 400 pessoas já confirmaram presença.

História

Nascido em Picos, no Piauí, Chiquinho veio para Brasília em pau de arara. Trabalhou desde criança como vendedor de jornais. Aos 13 anos, foi funcionário de banca de revistas e atuou em quatro livrarias antes de abrir a própria. Começou na UnB em 1975, aos 15 anos. Em 1990, ele abriu uma loja de 12 m2, onde permanece desde então. Chiquinho mora em Sobradinho com a mulher e dois filhos.

Ele atendeu clientes famosos e teve a oportunidade de conversar com Darcy Ribeiro, José Saramago e tem autógrafos de mestres da literatura, como Cora Coralina.

Saiba mais

Cada módulo de atividades e serviços comunitários tem nove espaços: seis de serviços gráficos, impressão, copiadora, livraria, revistaria e papelaria e três de bistrô, comidas rápidas e self-service. Os gráficos ocupam 14m² cada. Os de alimentação chegam a 70m². As taxas mensais a serem pagas à UnB variam entre R$ 1,4 mil e R$ 6 mil.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado