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Brasília

China deve manter soluções de transporte depois dos Jogos

Arquivo Geral

11/08/2008 0h00

Foram sete anos de polêmicos preparativos que mobilizaram arquitetos do mundo todo e transformaram a capital da China no maior canteiro de obras do planeta. O evento esperado há um século pelos chineses desalojou famílias, mudou rotinas. Mas numa coisa todos concordam: os Jogos Olímpicos deixarão como legado aos pequineses um moderno e eficiente sistema de transporte urbano.


A maior transformação foi no sistema de metrô, com investimentos de US$ 8,3 bilhões na criação de três novas linhas, ampliação de outra, substituição de vagões, reforma e construção de estações. E quando a primeira das novas linhas foi inaugurada, em julho de 2007, o valor do bilhete passou de 3 remembis (R$ 0,75) para 2 rmb (R$ 0,50).


A malha total de metrô passou de 114 km para 200 km, em oito linhas. E uma nova linha começou a ser construída em junho deste ano. Mais 27 km serão agregados ao sistema até 30 de setembro de 2009 – sim, os chineses marcam data para o final das obras e, o mais surpreendente, cumprem rigorosamente os prazos.


A ampliação do metrôs começou em 2002, com a Linha 5, que liga o Norte ao Sul de Pequim. Foram quatro anos e nove meses de obras até a inauguração, em julho de 2007.


As outras duas linhas ( 10 e 8 ) foram abertas ao público em junho e julho deste ano. A Linha 10 percorre o chamado terceiro anel da cidade (Pequim é geograficamente definida por anéis aos redor da Cidade Proibida, que é considerada o centro da cidade).


A linha 8 foi construída especialmente para levar aos endereços mais importantes dos Jogos (claro que teria de ser batizada com o número da sorte dos chineses). Supersticiosos por natureza, os chineses planejaram minuciosamente cada detalhe dessa linha que, por enquanto, só pode ser utilizada por quem tem ingressos para os jogos ou está credenciado para a cobertura esportiva.


A linha 8 tem 4 km e quatro estações, cada uma decorada com as cores e motivos de uma estação do ano. A primeira delas tem os motivos de um vaso chinês e ganhou a cor vermelha, que representa verão e paixão. Na segunda parada, que leva ao Ninho de Pássaro, o tema é esporte e a cor principal é o amarelo, que evoca o outono e também significa sucesso. A terceira estação leva ao Parque Olímpico e ao centro de natação conhecido como Cubo D`Água, o tema é água e a cor predominante é branco, representando o inverno e a generosidade. A última é a estação Parque Florestal, cujo tema é floresta branca. Essa estação representa a primavera e tem a cor verde, que significa esperança.


As estações novas das outras linhas também ganharam decoração diferenciada, mas o mais interessante é o sistema de segurança. Um paredão de vidro temperado separa a plataforma dos trilhos, impedindo acidentes, uma porta de vidro se abre simultaneamente à porta do vagão, para a entrada e saída de pessoas. Em cada estação há indicação da parada anterior e da seguinte e dentro dos trens um painel luminoso vai sinalizando o caminho percorrido.


Outra medida interessante foi a substituição dos bilhetes de papel, utilizados durante 30 anos, por cartões magnéticos. O cartão, carregável, pode ser utilizado também nos ônibus e táxis de Pequim. O novo sistema entrou em vigor em junho deste ano.


Além de tudo isso, foram criados corredores para três linhas rápidas de ônibus (duas já em funcionamento) e a zona oeste da cidade recebeu uma grande estação de distribuição de linhas de ônibus, a DongZhiMen. E o Aeroporto de Pequim ganhou uma nova estrada de acesso e foi equipado com um terceiro e moderníssimo terminal projetado pelo badalado arquiteto e urbanista inglês Norman Foster, que também assina o Estádio Olímpico de Paris (construído para os Jogos de 1994), o Estádio Nacional de Wembley em Londres, Torre de Collserola em Barcelona e o Aeroporto Internacional de Hong Kong.


A substituição da frota de táxis foi uma medida do pacote que revolucionou o sistema de transporte público de Pequim para os Jogos Olímpicos. Com subsídio público, em 9 de agosto de 2007, cinco mil velhos e poluentes carros das marcas Citroen (Fukang) e Daihatsu (modelo Xiali) deixaram de circular. Foram substituídos pelos modelos Sonata e Elantra, da Hyundai, e alguns carros Volkswagen. Desde então, outros 67 mil taxis novos foram colocados em circulação.


Para o transporte das delegações, foram comprados modernos Audi A6 e Passat da Volkswagen – um dos patrocinadores dos Jogos. Por fim, foi adotado sistema de rodízio de carros, de acordo com a placa (par ou ímpar). Programado para o período dos Jogos, o rodízio deve ser mais uma das heranças para os pequineses.


Com as medidas, o governo quer incentivar a população a deixar seus carros na garagem e utilizar transporte público. Assim, resolve três problemas numa tacada só: diminui o caos urbano, economiza energia e reduz a poluição.


 

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