Por Tereza Neuberger
redacao@grupojbr.com
Momentos antes da chacina que ocorreu em Planaltina na última quinta-feira (10), o 14º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) recebeu uma ligação do sargento da PM, Nilson Cosme Batista dos Santos para avisar sobre o que estaria por vir. O sargento assassinou a esposa, os dois filhos e tirou a própria vida em seguida, antes de cometer suicídio, Nilson teria colocado fogo na residência da família.
Dois dias antes de assassinar a própria família, o homem desabafou com colegas de quartel sobre estar exausto e sob pressão. O sargento teria dito a um dos colegas que não conseguiu fazer um tratamento de saúde.
A família do sargento, teria pego Covid-19 recentemente, e Nilson reclamou a um dos militares que sofria muitas cobranças, que estava sob forte estresse e passando por dificuldades. Um vizinho antigo da família afirmou que o sargento tinha uma postura muito fechada, e possuía o hábito de procurar confusão com diversas pessoas ali na rua.
A tragédia aconteceu no início da noite, na Avenida Maranhão, quadra 161 do setor tradicional de Planaltina, Distrito Federal. Antes de cometer o assasssinato e tirar a própria vida, o sargento informou em ligação para os policiais militares que iria matar todos. De acordo com os militares, ainda durante a ligação foi possível ouvir os tiros. Logo após o chamado, uma equipe de policiais militares se dirigiu até a residência do sargento.
No local, os policiais tentaram contato com o sargento Cosme e com os outros moradores, ao perceber sinais de fumaça na residência, os militares arrombaram o portão e acionaram o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF).
Os militares encontraram as portas e janelas da casa totalmente trancadas. Ao forçar a entrada, a guarnição viu em um dos quartos, um corpo ao chão. Dois policiais ainda tentaram arrastar o corpo para retirá-lo das chamas, porém, devido à grande quantidade de fumaça, não conseguiram. Também foi encontrado no local um galão vazio cheirando a álcool.
A corporação foi chamada a princípio para atuar em um incêndio de edificação, já no local, o socorro suspeitou de execução logo nos primeiros momentos.
“O que indica é que houve uma execução seguida de incêndio. Os corpos possuem marcas de arma de fogo e a casa estava em chamas.”, afirmou o tenente Machado. O incêndio foi contido pelo Corpo de Bombeiros, que também fez a retirada das quatro vítimas, além do sargento foram identificados os corpos de Maria de Lourdes Furtado, 50 anos, Lucas Furtado dos Santos, 16 anos, e Isaac Furtado dos Santos, 21 anos. Perto de um dos corpos foi encontrada uma pistola CZ .9mm, da PMDF.

A esposa, Maria de Lourdes.
Foto: Reprodução
O primeiro filho, Izaque. Foto: Reprodução 
O segundo filho, Lucas. Foto: Reprodução;
Um dos corpos estava na sala, atrás da porta, e os outros três, dentro de um quarto. A esposa do sargento recebeu três tiros, um no abdômen, outro no pescoço e um na cabeça. Um dos filhos foi atingido na cabeça e o outro filho do casal não teve o local em que foi baleado identificado por conta do nível de carbonização dos corpos.
A principal suspeita é de que o próprio sargento, após balear a esposa e os filhos, tenha colocado fogo na casa. Nessa linha de investigação, a hipótese é de que antes do fogo consumir todo o imóvel, o sargento teria cometido suicídio. As investigações sobre o caso seguem a cargo da 16ª Delegacia de Polícia Civil do Distrito Federal, em Planaltina.
Um dos filhos do sargento, Izaque, de 21 anos, havia sido aprovado recentemente no vestibular da Universidade de Brasília (UnB) para o curso de engenharia química, de acordo com um amigo de infância, Izaque era muito estudioso.
De acordo com vizinhos próximos, o casal era tranquilo, religioso e parecia não ter nenhum tipo de problema.