Ingrid Soares
ingrid.soares@jornaldebrasilia.com.br
Tudo aquilo que se compartilha multiplica. Esse foi o lema da terceira edição da Missa de Natal, oferecida a cerca de mil moradores de rua pela Pastoral do Povo da Rua, da Arquidiocese de Brasília. A celebração ocorreu na Catedral, na manhã de ontem.
As atividades começaram com um café da manhã caprichado, com cachorro quente, suco e frutas. Depois, todos os participantes foram levados à sede do Movimento Eureka, na 906 Norte. Ali, foi servido um almoço especial, com direito a ceia natalina.
Entre as atividades da tarde estavam cortes de cabelo, bazar, distribuição de kits de higiene pessoal, roupas e alimentos, além de atendimento jurídico e psicológico e um trio elétrico que animou a ação. Para as crianças, houve pintura de rosto, piscina de bolinhas, escorregadores e distribuição de brinquedos.
A camelô Alessandra da Silva, 32 anos, veio do Rio do Janeiro com a família em busca de dias melhores. Mas, no Distrito Federal, “as coisas não deram certo” e hoje ela mora em um acampamento. “Tenho quatro filhos e a situação está muito difícil. Esse vai ser o único Natal que teremos”, conta.
A catadora de materiais recicláveis Cícera Lima, 50 anos, mora em Planaltina (GO) e relata que é a primeira vez que participa do movimento da arquidiocese. “Eu trouxe os meus dois filhos e um neto. Também é uma hora de diversão para as crianças, elas adoram a ceia e as brincadeiras. É um momento que não posso propiciar a elas, já que não tenho condições. Este será um Natal adiantado para elas”, comemora.
Ponto de vista
Segundo o diácono Gedeon da Rocha, da Pastoral da Arquidiocese, o apoio às pessoas carentes ocorre o ano inteiro nas ruas, invasões, acampamentos e casas de recuperação. “Jesus, quando nasceu, não tinha como ser acolhido. Estamos acolhendo Jesus em cada uma dessas pessoas que não têm onde ficar. Nesse trabalho, muitas vezes é a primeira refeição do dia para elas. É gratificante ver a alegria no rosto de cada um. Queremos que eles se sintam respeitados e valorizados. Se alguém estiver em situação de exclusão no dia a dia, que possa se sentir acolhido aqui”, conclui.