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Brasília

Centros de atendimento à mulher ficam limitados em Ceilândia e Planaltina

Arquivo Geral

01/04/2016 6h15

Carla Rodrigues

carla.rodrigues@jornaldebrasilia.com.br

Por falta de pagamento, os Centros Especializados de Atendimento à Mulher (Ceam) de Ceilândia e Planaltina estão sem luz há, pelo menos, sete dias. Juntas, as dívidas somam R$ 10,7 mil. O corte de energia limitou o atendimento nas unidades, que ficaram impedidas de cumprir algumas demandas. A Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh) não esclareceu o motivo do atraso nas contas, mas informou que os pagamentos já foram realizados. 

Apesar da falta de respostas da secretaria, a avaliação da chefe do Ceam de Ceilândia, Erika Laurindo, o tamanho da atual sigla da pasta fala bastante sobre os motivos dos atrasos. Para ela, a soma de três secretarias (Trabalho e Empreendedorismo; Política para as Mulheres, Igualdade Racional e Direitos Humanos; e Desenvolvimento Humano e Social) ainda não está trabalhando totalmente. “Tivemos uma reunião com a Gerência de Contratos e, com a junção das pastas, parece que isso não está funcionando plenamente”, disse. 

Segundo a chefe da unidade de Ceilândia, a pasta foi informada sobre o possível corte da luz. “Eu recebi um aviso da CEB e encaminhei para conhecimento da secretaria”, salientou. No entanto, ela também não sabe dizer, ao certo, porque o órgão deixou a situação chegar a tal ponto. “Acredito que é por conta do andamento dos contratos. Não sei exatamente”, afirmou. 

Ainda assim, Erika destacou, mais uma vez, que o tamanho da secretaria atrapalha o atendimento de todas as demandas. “Para um governo que está juntando uma secretaria deste tamanho, um ano pode parecer muito, mas até todo mundo caminhar junto demora”, argumentou, destacando a necessidade do aumento no quadro de servidores em todo  o GDF.

“Descaso e incompetência”

Para o especialista em gestão pública e professor da UnB José Matias-Pereiras, falta competência técnica por parte da secretaria para deixar que a situação chegue a tal ponto nos Ceams. “É descaso, incompetência”, resume o docente.

Demandas demais

A Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos  é a mesma que responde pela demanda de caixões incluídos no auxílio funerário, concedido a pessoas em situação de extrema vulnerabilidade. E, como mostrou o JBr., as urnas de 60 cm estavam em falta até a última terça-feira.

Por dia, informou a chefe do Ceam de Ceilândia, Erika Laurindo, a unidade faz cerca de seis atendimentos. Ou seja, mensalmente, são mais de 140. Apesar de não ter, na ponta do lápis, os números de violência contra a mulher na região, Erika lembra que, segundo levantamento do Ministério Público do DF (MPDFT), a cidade é recordista em ocorrências do crime. Em 2014, foram mais de 2 mil registros. Planaltina, cuja unidade também ficou sem luz, ocupa o 5º lugar na ranking, com 1.185 casos denunciados. 

Apesar de questionada quanto aos motivos do corte de energia nos centros de Ceilândia e Planaltina, a Sedestmidh informou que “o fornecimento de água nas unidades sempre esteve normalizado, e que as contas de telefone estão em dia”. 

A pasta disse também que os pagamentos das contas de energia das duas unidades foram normalizadas. Segundo Erika, a luz deve ser religada na unidade de Ceilândia. O Jornal de Brasília não conseguiu contato com o Ceam de Planaltina.

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