“A arte salva, cura, resgata; ela toca em lugares, profundidades e sentimentos que recuperam e ajudam todas as pessoas.” É com essa convicção que Maregilbe Cavalcante, gastrônomo e professor aposentado, encontrou na oficina de cerâmica do projeto SustentArt uma forma de arteterapia, cuidado e criatividade. A iniciativa, organizada pelo Centro de Artes de Brasília, na Vila Telebrasília, oferece oficinas gratuitas para jovens e adultos, promovendo não apenas a cultura, mas também o desenvolvimento pessoal e coletivo.
Financiado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF), o SustentArt abre caminhos para a economia criativa ao proporcionar formação básica em diversas modalidades artísticas, como pintura, desenho, arteterapia, cerâmica, mosaico, xilogravura e música. São 70 alunos que participam das oficinas, iniciadas em 4 de agosto, com prioridade para pessoas de baixa renda, negras, indígenas, com deficiência, LGBTQIAP+ e mulheres em situação de vulnerabilidade.
A professora e escritora Sylvia Simão, participante da oficina de cerâmica, destaca a importância do projeto como suporte emocional para quem enfrenta instabilidades e mudanças na vida. “É fundamental que essas iniciativas sejam gratuitas, pois geralmente quem passa por essas dificuldades não tem condições financeiras para custear”, ressalta.
Já para o fisioterapeuta Gabriel Lavoura, a experiência artística trouxe uma nova percepção da vida. “Na minha primeira aula, aprendi a ver a vida com mais sensibilidade, luz, sombra e cor. Cheguei aqui achando que não ia dar, mas estou na segunda aula e muito satisfeito e confiante”, conta.
As oficinas têm duração de cerca de quatro horas semanais e cada participante pode escolher apenas uma modalidade para garantir o acesso ao maior número de pessoas. Além de contribuir para o desenvolvimento pessoal, o projeto fortalece a geração de trabalho e renda local. Segundo a coordenadora do Centro de Artes, Lídia Henrique, o SustentArt está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e promove a “Felicidade Interna Bruta (FIB)” ao unir projetos sociais, economia criativa e sustentabilidade.
Todos os arte educadores e assistentes envolvidos são profissionais já integrados ao Centro de Artes, com reconhecida excelência no mercado, o que também fortalece a mão de obra local e a qualificação do setor cultural.
O projeto terá duração de seis meses e culminará com uma exposição das obras dos participantes na galeria MD’Azevedo, do próprio Centro, prevista para março de 2026. Além da mostra, será lançado um catálogo e promovido um evento com apresentação musical aberto ao público.
Centro de Artes de Brasília: quase cinco décadas de história e cultura
Fundado em 1978 por Gildred Nascimento, que passou de aluna a professora de artes, e pelo artista plástico português Manoel de Azevedo, o Centro de Artes de Brasília consolidou-se na Vila Telebrasília em 2013. Com quase 50 anos de atuação, já formou mais de mil alunos, incluindo importantes artistas plásticos do Distrito Federal, e segue promovendo o acesso democratizado à cultura, fortalecendo a identidade cultural da região, fomentando a inclusão social e formando novos públicos para as artes visuais.
O SustentArt, portanto, é mais um capítulo dessa trajetória, que une tradição, inovação e compromisso social por meio da arte.
Com informações da Agência Brasília