Com carência de médicos anestesiologistas, o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal determinou a interdição do centro cirúrgico do Hospital do Paranoá. De acordo com a Secretaria de Saúde, 14 anestesiologistas trabalham na unidade de saúde. São necessários, no entanto, 28.
Ainda segundo a pasta, os serviços cirúrgicos da unidade de trauma do hospital serão transferidos para outras unidades. “O problema afeta não só o Hospital do Paranoá, mas toda a rede pública. As tentativas de solucionar o problema têm sido frustradas porque as vagas que foram abertas em concursos anteriores, tanto para cargos efetivos quanto para temporários, não foram preenchidas”, revelou a Secretaria de Saúde. A previsão é de que um novo concurso ocorra em 2018.
Segundo Raimundo Paz, conselheiro do Conselho de Saúde do Paranoá, está faltando efetivo e até material para realizar os procedimentos. “Foi interditado porque está faltando material, mas principalmente anestesista, e falta enfermeiro e técnico de enfermagem. O efetivo de pessoal está baixo e existe uma portaria do Ministério da Saúde que alega que chegando a um patamar muito baixo de anestesistas, como é o caso daqui, eles não podem aceitar mais pacientes”, afirmou o conselheiro.
Os pacientes serão redirecionados da seguinte maneira:
- O Hospital do Paranoá mantém o atendimento cirúrgico dos casos de ginecologia e obstetrícia
- As cirurgias ortopédicas serão transferidas para o Hospital Regional de Planaltina
- As cirurgias gerais ocorrerão no Hospital Regional de Sobradinho
- As cirurgias de alto risco de obstetrícia e os pacientes antes encaminhados pela Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de São Sebastião passarão para o Hospital Universitário de Brasília
Nas últimas semanas, a Secretaria de Saúde recorreu ao colegiado para tentar reverter a decisão. A pasta reconheceu o problema, mas argumentou com base nos prejuízos para a população. Prevaleceu, porém, a decisão do conselho.
No entanto, os pacientes que estão internados aguardando pela cirurgia terão os procedimentos realizados. “Os médicos fecharam entre eles que vão fazer as cirurgias de quem já está dentro do hospital. Só não vai receber mais pacientes. Esses novos vão ter que procurar atendimento em outros hospitais”, conclui Paz.
Reclamações
O Hospital do Paranoá coleciona algumas queixas. Além de não estar fazendo as cirurgias, pacientes reclamam do tempo de espera para conseguir uma consulta. O aposentado Oronides Bispo Oliveira, de 70 anos, foi com a neta, de 8, na emergência do hospital para se consultar de uma suspeita de infecção urinária. O aposentado relata que chegou ao hospital ao meio-dia e até as 17h ainda não havia sido chamado.

Oronides Bispo Oliveira criticou atendimento após horas na fila de espera. Foto: John Stan
“Eu sou de Minas Gerais, vim visitar minha filha. Lá na minha cidade eu nunca precisei ficar esperando esse tempo todo para uma consulta. É precário demais isso aqui”, critica Oronides
Além dele, o artista plástico Valber Belo Coutinho, de 31 anos, relata a mesma dificuldade. “Eu tive que aguardar mais de duas horas para uma consulta de retorno. Aqui sempre demorou muito o atendimento. Brasília inteira está assim”, afirma. (Com informações de Raphaella Sconetto)