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Brasília

Centenas de histórias destruídas ao custo de R$ 2

Arquivo Geral

05/01/2013 13h24

Fábio Magalhães
fabio.magalhaes@jornaldebrasilia.com.br

 

 

Famoso por ter sido palco de uma grande ação governamental de combate ao tráfico e uso de drogas, a construção abandonada conhecida como Castelo de Grayskull, em Ceilândia, fisicamente não existe mais. Porém, os arredores do local, antes  considerado a maior cracolândia do Distrito Federal e que deveria ter sido transformado em um polo cultural, continuam abrigando usuários e traficantes de drogas. Ali, assim como nos demais pontos de uso e tráfico de entorpecentes, vidas inteiras são destruídas por apenas R$ 2 –  preço cobrado, na maioria dos becos, por uma pedra de crack. A  droga é extremamente viciante e mortal.

 

Na realidade das ruas, somente a presença da polícia não é mais suficiente para coibir o comércio e o consumo de drogas. Muito além dos arredores do antigo castelo, nos centros de Taguatinga e Ceilândia, a qualquer hora do dia e da noite, o consumo de crack predomina, mesmo sob a  vigilância de militares. Nestas regiões, sem nenhum receio, crianças, moradores de rua e pessoas bem trajadas refugiam-se em becos para fazer o tráfico e o uso de entorpecentes. Outros consomem o produto à vista de toda a população.

 

Em Taguatinga, na região central, a cena de pessoas portando e consumindo drogas tornou-se um fato comum. Nas imediações da Quadra C12, na manhã de ontem, a reportagem constatou que, apesar de haver policiais nas ruas, cinco minutos após eles passarem são suficientes para que os viciados voltem  e consumam, livremente, o entorpecente. Pela lei, os usuários não podem ser presos.

 

Conforme estatísticas da Secretaria de Segurança Pública (SSP), o número de registros de tráfico somente na quadra C12 saltou de 12, em 2011, para 20, em 2012. A faixa de horário escolhida para este crime é entre 15h e 18h. Segundo um dos militares que fazem ronda no centro de Taguatinga, a quantidade de drogas apreendidas é grande.

 

“Apreendemos em média 50 pedras de crack por dia, além de cachimbos e cigarros de maconha. Já tivemos caso, no último mês de outubro, em que prendemos um traficante, mas quando chegou à delegacia, ele foi solto porque o delegado disse que não tinha provas suficientes”, comentou o policial, ao terminar de fazer a apreensão de um cachimbo improvisado para o consumo de crack.

 

Apito anuncia venda

 

  Após as abordagens policiais todo o entorpecente é recolhido, mas os usuários continuam pelas ruas como zumbis em busca de mais entorpecentes. Ontem, o Jornal de Brasília acompanhou o comportamento de usuários e traficantes da quadra C-12, no centro da cidade. À tarde, longe dos olhos dos policiais, um grupo de dez pessoas – a maioria menor de idade – voltou para o local e, na porta dos edifícios, ficaram traficando e consumindo droga.

Um contador, que preferiu não se identificar, afirmou que os usuários de entorpecente começaram a utilizar a região como ponto há pouco tempo. Antes, segundo ele, a quadra era tranquila. “Esse pessoal que consome drogas chegou aqui há uns dois anos. Antes, essa região era muito calma. Infelizmente, essa é uma situação muito triste. Tem até pessoas bem arrumadas e, se nenhuma atitude for tomada, isso aqui vai virar uma cracolândia”, disse o contador.

Cansada de presenciar o comércio ilegal, uma psicóloga, denuncia o comércio  ininterruptamente na C-12. Segundo ela, os preços das drogas na região são acessíveis. “É lamentável ver este tipo de coisa. O preço pelo crack varia de R$ 2 a R$ 5. Eles anunciam a droga no grito e basta um apito para que todos reconheçam o sinal”, contou a mulher.

 

 

 

 

 

 

 

 

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