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Brasília

CEM 02 do Gama cria projeto sustentável que combina criação de peixes com cultivo de hortaliças 

Iniciativa visa a economia de água e a produção de alimentos para o consumo dos estudantes 

Carolina Freitas

19/02/2025 10h45

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Fotos: Carolina Freitas/Jornal de Brasília

Com foco na sustentabilidade, o Centro de Ensino Médio (CEM) 02 do Gama criou um projeto de aquaponia, técnica que combina aquicultura (criação de peixes) e hidroponia (cultivo de hortaliças sem solo). Dentre os benefícios da iniciativa estão a economia de água e a produção de alimentos para o consumo dos alunos. São os próprios estudantes, em horário contrário às aulas, nas segundas, terças e quintas-feiras, que tocam a iniciativa, sob supervisão de um professor responsável.  

O projeto de aquaponia funciona como um circuito fechado, onde os próprios resíduos dos peixes são usados para nutrir as plantas. “Nós cultivamos as hortaliças de forma integrada, onde não precisamos do uso de fertilizantes. A principal fonte é a caixa d’água dos peixes onde eles soltam os dejetos deles e esses dejetos contêm um composto químico chamado amônia. A amônia é tóxica, então ela passa por um processo de filtragem para ser limpa”, explicou a estudante Lorrany Pereira, 17 anos. 

Após o processo de filtragem, os resíduos dos peixes chegam nas hortaliças cheios de nutrientes. As plantas, por sua vez, purificam a água, que retorna ao tanque dos peixes. “O método que utilizamos é a recirculação, onde utilizamos 98% a menos de água do que na agricultura convencional. Perde água apenas por evaporação e quando temos que fazer descartes”, salientou Lorrany. 

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Foto: Carolina Freitas/Jornal de Brasília

O projeto começou em abril de 2024, sendo que os próprios estudantes deram vida à iniciativa do zero. Para criar todo o circuito para abrigar os peixes e as plantas os alunos usaram materiais recicláveis, como caixas d’água, sacos de cebola, forros, tampinhas e entre outros. O custo para produzir um sistema de aquaponia, como o do CEM 02, seria de cerca de R$600, conforme apontou o estudante Marco Túlio Vitorino, 17.

“No projeto usamos materiais recicláveis que conseguimos na escola e até mesmo em ferros velhos. Os custos são de menos de R$600, isso se torna propício para aqueles agricultores que não tem uma renda alta e querem entrar no mercado de trabalho”, frisou Vitorino. “Nós buscamos a economia de água e a sustentabilidade com a iniciativa. Nosso projeto pode, inclusive, ser usado em lugares com períodos de seca muito grande”, completou o estudante.

No projeto são cultivados alface, salsa, agrião, cebolinha, tomate, capim-santo, hortelã e até beterraba, todos são usados para consumo da comunidade escolar. “Todos nós consumimos o que é produzido na horta. Como não utilizamos nenhum agrotóxico os alimentos tornam-se 100% orgânicos e sem nenhum malefício. Todas as nossas hortaliças são retiradas da nossa horta com tamanho correto e levado para a cantina, sendo servido para os alunos no almoço do integral. No fim, nós produzimos o que nos alimentamos”, destacou o estudante Gabriel Coelho, 17.

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Foto: Carolina Freitas/Jornal de Brasília

Diferente das hortaliças plantadas na terra, as da aquaponia se desenvolvem mais rápido, segundo o professor do CEM 02, Kleber Carvalho. “Isso ocorre pelo fato de todo tempo ter a questão da água circulando”, disse. O projeto conta, atualmente, com cerca de 270 mudas de plantas. 

“O nosso propósito é ampliar para que a gente possa permitir que os peixes e as hortaliças se desenvolvam mais. Hoje, os nossos peixes estão em um tamanho que ainda não está adequado para abate. A proposta é aumentar o nosso tanque e permitir que os peixes se desenvolvam mais para serem usados na alimentação dos alunos”, frisou o professor.

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Foto: Carolina Freitas/Jornal de Brasília

O colégio busca parcerias e patrocínios para ampliar o projeto e instalar placas fotovoltaicas para que seja gerado energia para as eletrobombas. “O nosso propósito de ampliação é também colocar os painéis solares, para que além da água, tenha a economia da energia. Nós utilizamos bombas que não gastam muita energia, então a ideia do painel solar é que ele possa gerar e armazenar energia para manter o sistema, sendo assim totalmente independente de água e luz”, ressaltou o professor.

Outro desejo é que o projeto seja acessível para outras escolas e comunidade. “Precisamos de parceiros para ampliar o espaço com acessibilidade. Para que a gente consiga trazer alunos de outras escolas e a comunidade para conhecer e aprender sobre aquaponia, para que assim seja levada a iniciativa até para outras escolas. Escolhemos um projeto onde é trabalhado a sustentabilidade, com materiais recicláveis”, comentou o coordenador da iniciativa, Lélio Rodrigues.

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