Uma celebração com novos ares. Em vez de reunir todas as paróquias da capital em um único espaço, este ano a missa de Corpus Christi foi realizada do lado externo da Catedral Metropolitana. A decisão foi tomada pela Arquidiocese de Brasília por entender as dificuldades que os fiéis teriam para chegar até o local devido às mudanças no trânsito durante os jogos da Copa do Mundo. A alteração não tirou a emoção da comemoração, que reuniu aproximadamente três mil fiéis, entre eles estrangeiros que estão na cidade para assistir às partidas do Mundial.
“Somos católicos e viemos aqui porque se estivéssemos na Colômbia faríamos o mesmo. Achamos a data importante para a Igreja, para nós, para Cristo. É um privilégio poder assistir à missa na capital do Brasil em uma data tão bonita”, afirmou o jovem casal Lorena Dias e Alberto Rueda, ambos de 24 anos, que saiu direto da partida no Estádio Mané Garrincha para a celebração no lado externo da Catedral.
Na opinião dos fiéis que sempre acompanham as missas de Corpus Christi, o evento foi um dos mais bonitos e organizados. “As pessoas não estão se esbarrando, brigando por espaço. Consigo enxergar o palco sem problemas. E está lotado, o que revela ainda mais a importância deste dia. Quando junta o povo, a fé é ainda maior”, disse Maria de Lourdes Pereira, 57. A professora foi até o local acompanhada do filho e do neto.
Ainda de acordo com os fiéis, o bom planejamento da festa não abriu espaço para eventuais problemas. “Tem muita segurança, bombeiro, tem toda uma estrutura que garante uma celebração tranquila até o fim”, elogiou técnico em informática Bruno Silva, 28 anos.
Exceção
Para Bruno, o evento vai ficar marcado na memória dos católicos. “Brasília é uma cidade linda e assistir à missa olhando este céu que só nós temos é muito emocionante”, acrescentou.
Presidente da celebração, Dom Sergio da Rocha fez questão de lembrar aos fiéis que as mudanças deste ano não se estenderão aos próximos. “As festas de Corpus Christi e da Padroeira continuarão a reunir todas as Paróquias da Arquidiocese na Esplanada dos Ministérios. Abrimos uma exceção para maior comodidade de todos”, destacou o religioso.
Com direito a missa e procissão
Em uma parte do espaço reservado para a missa de Corpus Christi foi confeccionado o tradicional tapete com tema eucarístico, desta vez em menor tamanho. A homenagem foi produzida por jovens voluntários que participam de pastorais e movimentos da Arquidiocese de Brasília. Eles utilizaram palha de arroz, serragem, tinta e 20 quilos de sal para finalizar a obra.
Quem observou o tapete de perto ficou impressionado com a perfeição da obra, que abordava, inclusive, a canonização do papa João Paulo II. “É muito bem feito, caprichado mesmo. Você percebe que a fé está ali, envolvida no tapete. Não é só a missa em si, mas todo o significado da data nos nossos corações. É lindo de ver”, destacou a dona de casa Francisca dos Santos, 42 anos.
Além da missa, como acontece normalmente, foi realizada ainda uma procissão para celebrar a data. O trajeto percorreu o primeiro quadrilátero da Esplanada dos Ministérios. “Fico aqui até o final. Quero sentir a presença de Cristo entre nós. Não abro mão de participar do início, meio e fim. Estamos aqui para sentir Jesus ressucitando”, afirmou a servidora pública Valdina Barreiro, 61.
Tranquilidade
O economista Juleno Barreto, 71, disse ainda que se sente abençoado nas missas de Corpus Christi. “A gente participa pela fé, pela crença em Deus. E isso é uma bênção”. Ele fez questão de enaltecer a organização do evento. “Ano passado não foi assim. Tinha mais gente e não dava para ver o palco, nem acompanhar a missa com tranquilidade”.
Saiba mais
Para evitar problemas na Esplanada, este ano, cada paróquia fez seu seu próprio evento.
Ao contrário do que a maioria pensa, o Corpus Christi não é feriado nacional, tendo sido classificado pelo governo federal como ponto facultativo.
A tradição de enfeitar as ruas durante a data começou em Ouro Preto, Minas Gerais.