Carla Rodrigues
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Nem a ameaça de corte de ponto e as sucessivas derrotas na Justiça, acompanhadas de multas milionárias, convencem algumas categorias do serviço público a voltar ao trabalho. Diante de negociações mal-sucedidas, a Procuradoria Distrital dos Direitos do Cidadão do Ministério Público (MPDFT) solicitará ao Tribunal de Just iça (TJDFT) a realização de audiências de conciliação entre o GDF e os sindicatos que ainda mantêm a paralisação.
Segundo nota divulgada pelo MP, entre os sindicatos que serão indicados estão o dos professores (Sinpro) e o dos médicos (Sindmédico).
Também estão incluídos os servidores da administração direta, de autarquias, fundações e tribunal de contas, representados pelo Sindireta. Das 15 categorias ligadas à entidade sindical, apenas uma, do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), continua parada. Por outro lado, entre os serviços retomados hoje estão os do Na Hora e da Defensoria Pública do DF.
No Sindicato dos Servidores e Empregados da Administração Direta, Fundacional, das Autarquias, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista (Sindser), apenas a Novacap segue com a greve. Com isso, continuam suspensas as podas e a recuperação de asfalto.
Setores parados
A saúde, a educação e o transporte permanecem prejudicados. Os professores devem definir os rumos da greve hoje, em assembleia às 9h. Os metroviários asseguram aguardar posicionamento do Metrô para tomar alguma decisão. E os médicos garantem: não houve proposta do governo. Por isso, continuam de braços cruzados até, pelo menos, amanhã, dia de assembleia.
“Quem vai decidir é a categoria”, disse o presidente do Sindmédico, Gutemberg Fialho. Questionado se há tentativa de negociação, ele garantiu: “O governo não fez proposta”. A afirmação é contestada pela Casa Civil. Segundo a assessoria de imprensa da pasta, o GDF está aberto ao diálogo. No caso do Sindmédico, salientou, o presidente da entidade “não procurou o GDF”. “As portas estão abertas”, ressaltou.
Metroviários à espera de uma posição
Os metroviários dizem aguardar um posicionamento da direção da Companhia do Metropolitano do DF (Metrô-DF) para decidir o futuro da paralisação. Por enquanto, informou o diretor jurídico da empresa, Júlio César Lima, “a greve continua até que eles (Metrô) se posicionem”. E acrescentou: “Nós enviamos uma contraproposta ao que foi oferecido pelo Ministério Público. Colocamos os itens para votação no domingo e mandamos para eles na segunda-feira”.
Entre as principais reivindicações dos metroviários estão a convocação dos aprovados no último concurso, a saída dos comissionados em excesso e o reajuste no valor do tíquete-alimentação. “Continuamos aguardando uma posição da empresa”, salientou Júlio César Lima.
Na quinta-feira da semana passada, o Metrô-DF e os sindicalistas se reuniram em audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-10) em busca de acordo. No entanto, segundo o chefe da Assessoria de Relações do Trabalho do Metrô-DF, Marco Antônio Fortes, nem os diretores da empresa nem o governo aceitarão entrar em um consenso com o Sindicato dos Metroviários enquanto os funcionários estiverem em greve.
Agentes de trânsito voltam ao trabalho
Os servidores do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) e do Departamento de Estradas de Rodagem do DF (DER) decidiram voltar ao trabalho hoje e ontem, respectivamente. Em nota, o presidente do Sindetran, Fábio Medeiros, afirmou que “a categoria entendeu que não haverá mais avanços nesse momento e que, em respeito à população e dando um voto de confiança ao GDF, o movimento paredista foi suspenso.”
Saiba mais
Os servidores da Companhia Energética de Brasília (CEB) também estão paralisados. A categoria entrou em greve na segunda-feira e exige, entre outras coisas, aumento do piso salarial, hoje de R$ 811,72.
Uma assembleia está marcada para hoje, às 11h.