Andar a cavalo deixou há muito tempo de ser apenas uma necessidade de deslocamento ou lazer. A procura por essa atividade vem aumentando como uma das medidas adotadas para o tratamento e até mesmo a cura de muitas doenças. A Cavalo Solidário é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que, por meio da terapia com cavalos, oferece e estimula o desenvolvimento e a interação social de pessoas com deficiência e necessidades especiais de baixa renda. Em seis anos, a organização já atendeu milhares de praticantes, mas precisa de ajuda para levar o trabalho adiante.
O diretor-geral e fundador, José Maria de Siqueira Filho, conta como tudo começou: “A ideia era abrir uma escola de equitação. Depois, conheci a equoterapia e vi que devíamos fazer algo de cunho social pelas pessoas mais necessitadas. Utilizamos as instalações e os equipamentos que já dispúnhamos e, em pouco tempo, conseguimos que mais pessoas se juntassem à nossa causa e só crescemos.”
Uma equipe de 15 professores cedidos pela Secretaria de Educação atua de acordo com a necessidade específica de cada um dos atendidos. As práticas são uma vez por semana, com a duração de meia hora e utilização de materiais pedagógicos. Também são realizadas avaliações dos praticantes em todas as áreas para acompanhar as evoluções obtidas. Uma fila com 435 pessoas aguarda por uma vaga.
O pequeno Henrique Gonçalves, 5 anos, é um dos beneficiados. Ele recebeu o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e, por meio de referências, sua mãe Fabiana Renata dos Santos, 37 anos, descobriu o projeto: “Vir pra cá é o que ele mais gosta de fazer. Em vista de como ele chegou aqui, hoje ele está muito bem”, relata.
Equipe precisa de ajuda
Apesar dos benefícios aos praticantes, o trabalho da organização Cavalo Solidário passa por momentos de dificuldade. O contrato com um dos seus parceiros está chegando ao fim e, com isso, surge a necessidade de encontrar novos apoiadores. Além disso, eles precisam de doações, desde capacetes para montaria, brinquedos pedagógicos, materiais de selagem, serviços veterinários, ração, feno e mesmo doações em dinheiro, pois o custo com manutenção do local e higiene dos cavalos é elevado. O pagamento dos salários dos auxiliares também é um fator preocupante.
Eliane Alves de Bastos, 35 anos, é mãe de Pedro, diagnosticado com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e dislexia: “Nunca pensei que ele fosse melhorar tanto. Hoje ele conversa, fala e é muito mais alegre. Só tenho a agradecer. Porém, o projeto precisa de ajuda porque dispõe de poucos recursos e não pode parar”, afirma.
A assistente de comunicação do projeto, Camille Venturelli Pic, faz um apelo: “Só queremos ajudar a transformar o mundo.”
Atualmente, a organização atende 239 praticantes em duas unidades, no Núcleo Rural Alexandre Gusmão, em Ceilândia, e no Regimento de Cavalaria e Guarda no Setor Militar Urbano.