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Brasília

Caso Villela: Mais acusações a Adriana

Arquivo Geral

12/12/2013 7h25

Ludmila Rocha e Júlia Carneiro

redacao@jornaldebrasilia.com.br 

 

O julgamento de dois acusados pela morte do casal Villela e de sua empregada continua. Até o momento, os depoimentos   indicam que a mandante do crime seria a   filha do casal, Adriana Villela. O ex- ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, a mulher dele, Maria Carvalho Mendes Villela, e a empregada do casal, Francisca Nascimento da Silva, foram assassinados com golpes de faca em agosto de 2009, dentro do apartamento da família, na 113 Sul.

Estão sendo julgados o ex-porteiro do prédio  Leonardo Campos, 47 anos, e Francisco Mairlon,  24. Entre as pessoas ouvidas ontem está Mabel de Faria, que chefiava a Coordenação de Crimes Contra a Vida (Corvida)  e assumiu o caso após a saída da 1ª DP.  

Os principais pontos abordados por Mabel foram as provas supostamente plantadas pela ex-delegada  Martha Vargas    – entre elas uma chave e o depoimento de uma vidente –; os métodos utilizados pelos agentes da 1ª DP para conseguir confissões e os motivos que a levam a crer que Adriana foi, de fato, a mandante do crime. 

A delegada disse que foi  trabalhoso assumir o caso, considerando as várias linhas de investigação  e a   interferência exercida por Adriana enquanto o caso ainda estava aos cuidados da 1ª DP. “Ela conseguiu manipular a investigação. Estava sempre desviando o foco dos investigadores para novas pistas e denúncias anônimas”, analisou.

Mabel    disse entender que, por Adriana ser rica e influente, “foi capaz de pagar advogados caros e fez  um trabalho na mídia, no sentido de desabonar as investigações”. 

Para a delegada, fevereiro de 2009 foi um mês decisivo para o entendimento dos fatos que estavam por vir. “Foi em fevereiro que Leonardo teria convidado Neilor, por meio de uma carta, para participar do crime”, disse. Foi também nesse mês que Adriana teria tido um atrito sério com seus pais. 

“Uma amiga da Francisca disse que ela costuma ser muito discreta em relação à rotina dos patrões, mas que, em um desabafo durante uma conversa, teria dito que chegou em casa no momento em que a Adriana estaria agredindo a mãe”.

Nesse mesmo período,  Adriana teria pedido um dinheiro a mãe,   para participar de uma feira de artesanato, e ela teria negado. “Isso teria gerado mais atritos”, concluiu.

Saiba Mais

O julgamento de Leonardo Campos Alves e Francisco Mairlon  começou na terça- feira. Eles respondem por   homicídio culposo e   furto qualificado. Durante o primeiro   dia foram ouvidas cinco das 17 testemunhas convocadas pela defesa dos acusados e pelo Ministério Público, que faz as vezes de acusação.

Números

4pessoas são suspeitas de envolvimento no triplo homicídio da 113 Sul, segundo a denúncia 

2 réus estão sendo levados a júri popular nesta semana: Leonardo Campos Alves e Francisco Mairlon

4 anos faz que o crime ocorreu, e até o momento nenhuma condenação foi proferida

Surgimento de carta provoca bate-boca

O surgimento de uma nova prova levantou os ânimos durante a sessão. O Ministério Público   encontrou, na Sala de Evidências, uma carta onde Neilor (tio de um dos acusados) teria sido convidado a participar do crime. 

A defesa queria que a prova, que estava desaparecida e ressurgiu subitamente, fosse enviada para uma análise pericial antes de ser lida no plenário. Defesa e promotoria bateram boca. A discussão  despertou os espectadores. “O conteúdo desta carta todo mundo já sabe”, disse o promotor Maurício Miranda. 

 Testemunhas

No período da tarde três testemunhas da defesa foram ouvidas: a delegada Renata Malafaia, que auxiliava   Mabel no caso; o atual segurança do prédio no qual o casal Villela morava; Gerson Belarmino, e o filho de Leonardo, Dantas da Conceição. Ao último foi perguntado sobre sua relação com Lindomar Rosa, testemunha que  foi à 8ª DP com informações de que   ouviu Dantas contar que o autor do crime era seu pai. 

“No pátio vimos na TV sobre o crime na 113 Sul e eu só falei que meu pai trabalhava naquele bloco”, alegou, nervoso. Dantas conheceu Lindomar na prisão, quando  ele e Leonardo dividiram a mesma cela. 

Quando contou do suposto abuso que a irmã sofreu nas mãos dos policiais para forçar confissão do pai, Dantas chorou  e precisou interromper o depoimento.

Renata Malafaia   concordou com depoimento de Mabel e disse que  estava bem claro que a mandante era a filha do casal, e que os três suspeitos seriam os assassinos. 

A expectativa é de que os réus sejam ouvidos hoje.

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