Ludmila Rocha e Júlia Carneiro
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O julgamento de dois acusados pela morte do casal Villela e de sua empregada continua. Até o momento, os depoimentos indicam que a mandante do crime seria a filha do casal, Adriana Villela. O ex- ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, a mulher dele, Maria Carvalho Mendes Villela, e a empregada do casal, Francisca Nascimento da Silva, foram assassinados com golpes de faca em agosto de 2009, dentro do apartamento da família, na 113 Sul.
Estão sendo julgados o ex-porteiro do prédio Leonardo Campos, 47 anos, e Francisco Mairlon, 24. Entre as pessoas ouvidas ontem está Mabel de Faria, que chefiava a Coordenação de Crimes Contra a Vida (Corvida) e assumiu o caso após a saída da 1ª DP.
Os principais pontos abordados por Mabel foram as provas supostamente plantadas pela ex-delegada Martha Vargas – entre elas uma chave e o depoimento de uma vidente –; os métodos utilizados pelos agentes da 1ª DP para conseguir confissões e os motivos que a levam a crer que Adriana foi, de fato, a mandante do crime.
A delegada disse que foi trabalhoso assumir o caso, considerando as várias linhas de investigação e a interferência exercida por Adriana enquanto o caso ainda estava aos cuidados da 1ª DP. “Ela conseguiu manipular a investigação. Estava sempre desviando o foco dos investigadores para novas pistas e denúncias anônimas”, analisou.
Mabel disse entender que, por Adriana ser rica e influente, “foi capaz de pagar advogados caros e fez um trabalho na mídia, no sentido de desabonar as investigações”.
Para a delegada, fevereiro de 2009 foi um mês decisivo para o entendimento dos fatos que estavam por vir. “Foi em fevereiro que Leonardo teria convidado Neilor, por meio de uma carta, para participar do crime”, disse. Foi também nesse mês que Adriana teria tido um atrito sério com seus pais.
“Uma amiga da Francisca disse que ela costuma ser muito discreta em relação à rotina dos patrões, mas que, em um desabafo durante uma conversa, teria dito que chegou em casa no momento em que a Adriana estaria agredindo a mãe”.
Nesse mesmo período, Adriana teria pedido um dinheiro a mãe, para participar de uma feira de artesanato, e ela teria negado. “Isso teria gerado mais atritos”, concluiu.
Saiba Mais
O julgamento de Leonardo Campos Alves e Francisco Mairlon começou na terça- feira. Eles respondem por homicídio culposo e furto qualificado. Durante o primeiro dia foram ouvidas cinco das 17 testemunhas convocadas pela defesa dos acusados e pelo Ministério Público, que faz as vezes de acusação.
Números
4pessoas são suspeitas de envolvimento no triplo homicídio da 113 Sul, segundo a denúncia
2 réus estão sendo levados a júri popular nesta semana: Leonardo Campos Alves e Francisco Mairlon
4 anos faz que o crime ocorreu, e até o momento nenhuma condenação foi proferida
Surgimento de carta provoca bate-boca
O surgimento de uma nova prova levantou os ânimos durante a sessão. O Ministério Público encontrou, na Sala de Evidências, uma carta onde Neilor (tio de um dos acusados) teria sido convidado a participar do crime.
A defesa queria que a prova, que estava desaparecida e ressurgiu subitamente, fosse enviada para uma análise pericial antes de ser lida no plenário. Defesa e promotoria bateram boca. A discussão despertou os espectadores. “O conteúdo desta carta todo mundo já sabe”, disse o promotor Maurício Miranda.
Testemunhas
No período da tarde três testemunhas da defesa foram ouvidas: a delegada Renata Malafaia, que auxiliava Mabel no caso; o atual segurança do prédio no qual o casal Villela morava; Gerson Belarmino, e o filho de Leonardo, Dantas da Conceição. Ao último foi perguntado sobre sua relação com Lindomar Rosa, testemunha que foi à 8ª DP com informações de que ouviu Dantas contar que o autor do crime era seu pai.
“No pátio vimos na TV sobre o crime na 113 Sul e eu só falei que meu pai trabalhava naquele bloco”, alegou, nervoso. Dantas conheceu Lindomar na prisão, quando ele e Leonardo dividiram a mesma cela.
Quando contou do suposto abuso que a irmã sofreu nas mãos dos policiais para forçar confissão do pai, Dantas chorou e precisou interromper o depoimento.
Renata Malafaia concordou com depoimento de Mabel e disse que estava bem claro que a mandante era a filha do casal, e que os três suspeitos seriam os assassinos.
A expectativa é de que os réus sejam ouvidos hoje.