O Jornal de Brasília percorreu, ontem, o mesmo trajeto feito pela atendente de telemarketing Andreza Costa Ferreira, 21 anos, que foi arremessada de um ônibus durante uma curva na L4 Sul, no início desta semana. A palavra “fatalidade” foi unânime entre os usuários. No entanto, segundo especialista, o acidente coloca em prova a resistência das portas desse tipo de automóvel.
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A equipe de reportagem foi até a Rodoviária do Plano Piloto e embarcou em um ônibus da viação Pioneira, que faz a linha 197.3 com destino a São Sebastião, assim como fez a vítima no dia do ocorrido. Até o ponto final, o motorista manteve- se fiel ao limite de velocidade da via, inclusive na curva onde Andreza caiu, que é de 40km/h. Ela permanece internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital de Base com traumatismo craniano e hematomas pelo corpo. Conforme o JBr. mostrou ontem, informações preliminares indicaram que ela estava sentada em uma cadeira para deficientes – devido a um problema que tem no pé esquerdo -, quando foi arremessada.
Trava de segurança
Motorista há 20 anos, José Serra, 42, lembrou que os coletivos têm um sistema de segurança para evitar tragédias como esta. “Não consigo sair do lugar se alguma porta estiver aberta, assim como não tenho permissão para abri-la com o ônibus em movimento, graças a essa trava. O que sabemos dessa história é que a passageira levantou para pegar sua bolsa que tinha caído e se desequilibrou. A porta quebrou com o peso”, declarou.
Para José, um conjunto de fatores levou a este acontecimento. “As portas não são frágeis. Tudo passa por manutenção quase que diariamente. O único que tem controle sobre as portas é o condutor”, completou.
Sentada no degrau próximo à porta, a passageira Ani dos Santos, 32 anos, é uma das que acreditam na fatalidade do caso. Por outro lado, a cabeleireira confessou que não confia na segurança dos coletivos. Moradora de São Sebastião, ela contou que nunca se apoia na porta. “Estou sentada aqui, mas, antes mesmo de o condutor entrar na curva, eu já seguro nas barras. Jamais encosto na porta. Não confio. Sou muito cuidadosa”, afirmou.
Perícia apontará qual foi a falha
Apenas a perícia vai confirmar se o motorista estava acima da velocidade da via, que, naquele trecho, é de 40km/h, se a porta estava aberta ou se apresentava defeito. Enquanto isso, resta à mãe de Andreza, a doméstica Joelma Almeida Silva da Costa, 37 anos, aguardar o laudo.
Ao JBr., Joelma disse que está revoltada. “Por que essa porta abriu? Ou já estava aberta? Acredito que, se o condutor tivesse respeitado a velocidade da via, não tinha feito esse estrago”, lamentou. A mãe também reclamou da falta de assistência da viação Pioneira: “Só consegui UTI para minha filha com a ajuda dos amigos. A Pioneira não contribuiu em nada”.
Engenheiro mecânico, Frederico Nogueira alertou para o funcionamento das portas. “Elas abrem para dentro. Portanto, ao ser arremessada, a passageira teve um impulso contrário. Ou seja, o peso dela ajudaria a fechar a porta”, explicou.
Nogueira ressaltou que é preciso investigar. “Não temos como afirmar nada. Mas, provavelmente, a causa pode ter sido falta de manutenção. Vale um olhar mais criterioso das empresas. Os ônibus estão descuidados”, concluiu.
Usuária da mesma linha, a cabeleireira Laurita Silva, 57, destacou a forma como os motoristas tratam os usuários: “Não é raro vê-los correndo e fechando a porta na nossa cara. Já vi muita gente se machucando. Não confio nessas portas”.
Versão oficial
Em nota, a viação Pioneira lamentou o ocorrido e disse que está prestando toda a assistência necessária e possível no momento. “Uma psicóloga da empresa está acompanhando a família desde o acidente, inclusive ajudou a conseguir a UTI para a jovem. Na segunda-feira, dia do ocorrido, a psicóloga saiu do hospital às 23h. Ontem (terça), a profissional da empresa chegou ao Hospital de Base às 16h e permaneceu no local por algumas horas”, informou a viação.
O ônibus foi enviado para perícia. Além disso, a assessoria da empresa acrescentou que o médico de Andreza solicitou um colar cervical, e que a Pioneira se dispôs a comprar, mas a mãe não aceitou. “Ontem, a empresa entrou em contato com a família novamente. A viação reafirma que está à disposição da família e fará o possível para ajudar”, concluiu.