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Brasília

Caso de injúria racial em faculdade acaba na delegacia, no Gama

Arquivo Geral

22/11/2017 22h12

A universitária Thais Pereira foi ofendida durante uma apresentação. Foto: Kléber Lima

Amanda Karolyne
redacao@grupojbr.com

Na mesma semana do Dia da Consciência Negra, um estudante foi detido em flagrante após ofender uma colega de classe. O caso de injúria racial ocorreu nesta quarta-feira (22), em uma faculdade no Gama, e mobilizou a turma toda a seguir para a 20ª Delegacia de Polícia para depor contra o homem. Os alunos afirmam que o rapaz já xingou e humilhou outras colegas.

Era dia de apresentação da turma do 8º semestre de Odontologia da Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central (Faciplac). Nervoso para fazer a apresentação logo, o suspeito, Alexandre Teodoro, 38 anos, teria se irritado ao ser deixado por último.

Outro caso

No último sábado (18), um vendedor de loja de departamento foi acusado de cometer injúria racial contra uma criança de dez anos. Segundo a Polícia Militar, um homem de 49 anos ligou para o 190 e disse que o funcionário do estabelecimento havia chamado sua filha de “preta” e se manifestado de forma preconceituosa contra a mulher.

“Ele ia estourar com a professora, mas sentou e ficou jogando indiretas”, diz uma aluna. Testemunhas ouviram o homem chamar a professora de “vadia”. “Ele dizia que ia dar um ‘cacete’ nela”, completa.

Outro aluno conta que a professora já tinha sido intimidada outras vezes. “Ela saiu da sala para chorar, e quando as apresentações acabaram, uma aluna estava falando quando ele disse: cala a boca, macaca”. Na mesma hora, os alunos vaiaram a atitude e foram à coordenação. “Ele sempre foi machista com as meninas da sala, cometendo assédio moral”, diz o mesmo aluno.

Segundo relatos, desde o início ele tinha problema com mulheres. “Uma vez ele arrumou confusão com as meninas no grupo do WhatsApp da sala, e eu era a administradora e o exclui. Mais tarde, ele me enviou fotos íntimas dele, falando que era isso que eu merecia”, conta uma testemunha.

A vítima da injúria racial, Thais Pereira, 21, conta que o homem sempre teve atitudes questionáveis com as mulheres na sala, mas ninguém nunca o denunciou. “Fiz isso por ter apoio da turma, porque a gente está cansado”, desabafa. Agora, ela e a turma querem justiça. “Ele saiu com deboche, falando que de nada ia adiantar”, diz. Mas ela acredita que agora a turma vai poder respirar aliviada: “Não podemos ter medo. Temos que cortar o mal pela raiz”.

Fiança

De acordo com a Polícia Civil, ele vai responder por injúria racial, que é quando uma pessoa ofende outra pela raça, cor, etnia, religião ou origem. A pena é de um a três anos, e multa. O crime é afiançável e Alexandre pode pagar fiança de R$ 3 mil, mas até o fechamento desta edição não houve a confirmação se o valor foi pago.

Em nota, a Faciplac informou que repudia o caso: “A instituição instaurou comissão para apurar o episódio e adotará todas as medidas previstas no regimento interno”, comunicou.

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