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Brasília

Caso de homem apontado como assaltante e assassinado por policial intriga família

Arquivo Geral

08/09/2017 6h00

Atualizada 07/09/2017 23h33

Kleber Lima/Jornal de Brasília

João Paulo Mariano
redacao@jornaldebrasilia.com.br

Além de sentir o luto pelo assassinato, a família de André Luiz de Oliveira Caldas, 31 anos, reclama da forma como tudo ocorreu e refuta a versão dada pelas autoridades. Por volta das 18h de quarta-feira passada, ele foi morto por um policial militar após deixar uma padaria na Quadra 8E do Riacho Fundo II. Segundo a corporação, ele teria assaltado o estabelecimento e tentado agredir os policiais, por isso houve o disparo. Já para a os familiares, não passou de um mal entendido e não havia a necessidade do disparo que levou à morte do rapaz.

“Meu filho não era bandido, não era assaltante nem traficante. Não tinha uma passagem pela polícia. Não precisava ter sido morto de uma maneira covarde”, reclama o rodoviário Luiz Camargo de Caldas, 54, durante o velório ocorrido ontem à tarde, no cemitério de Taguatinga. O pai de André revela que o filho, o mais velho de outros quatro, tinha problemas mentais que apareceram há alguns anos, mais exatamente após a saída da Aeronáutica, onde teria servido por seis anos.

Versão oficial


A PMDF não soube informar sobre o afastamento do policial que atirou no homem. “Porém, geralmente é realizada avaliação psicológica e, posteriormente, caso necessário, o policial é afastado das atividades”, disse, por nota. Em relação à possibilidade do excesso cometido ao desferir o tiro, a corporação assegura que esse e demais detalhes serão analisados no devido processo apuratório conduzido pela Corregedoria. O caso também é investigado pela 29ª DP, do Riacho Fundo I, que vai chamar algumas pessoas para prestar depoimento.

Dois lados

Luiz Camargo explica que, por volta das 18h da quarta, ele deixou André na parada de ônibus próximo à padaria que sempre ia. O homem entrou no estabelecimento, pegou uma garrafa de vinho e um pacote de bolachas e saiu sem pagar. As pessoas que trabalham na padaria conhecem André e sua família e saberiam que ele fazia isso de vez em quando. De todo modo, ao final do mês, quando havia pendências, o pai tinha o costume de quitar tudo.

Dessa vez, porém, teria um novo funcionário, que gritou para alertar sobre o “assalto”. Policiais que estavam próximos correram atrás do homem por cerca de 500 metros e, após conseguirem alcançar o jovem com um carro, atiraram.

Depois de ouvir testemunhas, a família defende que André não atacou o os policiais e, acima de tudo, não haveria necessidade de ele ter sido baleado. Na versão dos parentes, poderiam tê-lo imobilizado de outra forma, já que ele não portava arma de fogo, o que era visível – ele usava apenas uma bermuda.

Ninguém da Polícia Militar aceitou conversar com o JBr., mas, por meio de nota, a corporação informou sua versão dos fatos. Três policiais militares à paisana estavam nas proximidades da padaria, quando um deles viu André correr. Dessa forma, um dos militares teria descido do carro para a abordagem. Porém, o suposto assaltante reagiu, quebrou a garrafa de vinho no ombro de um dos militares e teria partido para cima dos outros dois com o restante do objeto.

Para evitar a agressão, um dos policiais atirou em André. O “assaltante”, segundo PMDF, foi atingido na região do tórax. Os membros da corporação entraram em contato com o Samu, mas, ao chegar ao local, constatou o óbito.

Arquivo pessoal

Arquivo pessoal

Transtornos psicológicos

Atualmente, André Luiz estava desempregado e fazia apenas pequenos bicos para conseguir algum dinheiro. O pai dele garante que o jovem não utilizava drogas nem fazia mal a ninguém. “Ele tinha uma depressão. Era como se fosse isso. Ele ficava em casa sem fazer nada e depois saía para correr ou malhar no sol forte por horas”, diz Luiz Camargo de Caldas.

Os funcionários na padaria onde tudo aconteceu dizem que não têm permissão para se pronunciar sobre o caso. O gerente do estabelecimento, que poderia dar mais informações sobre o assunto, estava fora de Brasília em um lugar sem sinal de telefonia, alegaram.

Uma das funcionárias parecia estar muito abalada com a situação, mas preferiu obedecer a ordem da chefia para evitar retaliação. Segundo comerciantes da região, a Polícia Civil já teria ido ao local para colher depoimentos.

Uma comerciante da área, que estava próxima à padaria no momento da confusão, afirma que viu tudo e que André era um homem tranquilo, “não era violento e não mexia com ninguém”. A mulher, que pediu para não ser identificada, afirma que todo mundo na região conhecia o homem e sabia dos transtornos dele, inclusive os funcionários da padaria. Até mesmo o empregado mais novo, que seria do Riacho Fundo II.

“Não sei o que ocorreu lá embaixo (local onde André foi morto)”, afirma a testemunha, que garante que o policial só correu atrás de André após um funcionário do estabelecimento dizer que ele tinha assaltado a padaria.

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