O Ministério Público vai pedir à Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida) para ouvir novamente o depoimento da vidente e telepata que teria apontado o endereço de um dos três homens presos pela polícia, em Vicente Pires, como suspeito do triplo homicídio ocorrido em 28 de agosto na 113 Sul. Na casa dele, a polícia disse ter encontrado uma chave original do apartamento do casal Villela. A mulher mora em São Paulo e deve chegar esta semana em Brasília.
Identificada como R.M., ela integra, há 12 anos, o Núcleo de Estudos Paranormais da Universidade de Brasília (UnB), onde desenvolve pesquisa sobre sensibilidade e percepção, investigando o autoconhecimento no ser humano. Já escreveu inúmeros livros e apresenta um Programa Semanal pela TV, em São Paulo.
A paranormal teria vindo a Brasília visitar uma neta, quando soube do assassinato do juiz aposentado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, 73 anos, da mulher dele, a advogada Maria Carvalho Mendes Villela, 69 anos, e da principal empregada do casal, Francisca Nascimento da Silva, 58 anos. Os três foram mortos no apartamento onde moravam, no Bloco C da 113 Sul.
A vidente e telepata procurou a delegada Martha Vargas, que, na época, era titular da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), conforme revelou com exclusividade o Jornal de Brasília na última semana, e disse que tinha uma missão. Acrescentou que não gostaria de se envolver no caso, mas não poderia se omitir diante de sua situação tão grave.
Como na época a delegada era responsável pela investigação do triplo assassinato e não poderia deixar de interrogar qualquer pessoa que pudesse colaborar com o caso, ouviu as declarações da vidente. “Em uma investigação não se pode deixar de ouvir quem quer que seja”, disse Martha Vargas, acrescentando que informações prestadas por um morador de rua a ajudaram a esclarecer um duplo assassinato ocorrido na Praça do Índio, entre a 703/704 Sul, em 2009. O servidor do Banco Central José Cândido foi preso e confessou o crime.
Perícia
Teria sido a vidente quem levou Martha Vargas e uma equipe de policiais a localizar a chave. A pedido da Corvida, o Instituto de Criminalística (IC) comprovou que a chave encontrada em Vicente Pires é a mesma fotografada pela perícia, no apartamento dos Villela, quando os corpos do casal e da empregada foram encontrados. Há suspeita que a vidente tenha sido usada para desviar o foco da investigação sobre a participação de pessoas próximas à família no triplo assassinato.