
“O alto poder aquisitivo do Distrito Federal é um prato cheio para os traficantes de drogas”, afirmou o delegado da Coordenação de Repressão às Drogas (CORD), Rodrigo Bonach. Na manhã desse domingo (3), uma operação conjunta da Polícia Civil do Distro Federal (PCDF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), realizada na BR-060, próximo a região de Engenho das Lages (Gama), resultou na prisão de um casal suspeito de traficar drogas em Santa Maria, e na apreensão de aproximadamente R$ 200 mil em drogas como cocaína, maconha e haxixe.
De acordo com o delegado, a prisão ocorreu após denúncia anônima de que a droga oriunda de Mato Grosso do Sul chegaria no DF por via terrestre. “Fizemos o monitoramento do veículo durante todo o trajeto. O casal, residente de Santa Maria, era utilizado como “mula” para o transporte do entorpecente e, para isso, cada um receberia o valor de R$ 5 mil pela viagem”, afirmou Rodrigo.
Lucro
Durante a abordagem ao veículo utilizado pelos suspeitos, foram encontrados no porta-mala do automóvel, acondicionadas em caixas de papelão, 70 kg de maconha, 4 kg de haxixe e 2 kg de cocaína. Ainda segundo Bonach, toda a droga apreendida seria disseminada em pequenas porções e comercializada em diversas regiões do DF e também na Região Metropolitana. “O que apreendemos hoje é vendido por um alto valor. O quilo da maconha é de R$ 1,5 mil e cada 1 kg de coicaína e de haxixe custam em média R$ 20 mil. Certamente essa droga seria misturada a outros insumos e revendida com elevada lucratividade”, ressaltou o delegado.
Segundo a corporação, o veículo utilizado no crime, um Honda City, era produto de um roubo ocorrido em 2 de março deste ano, nas proximidades do Estádio Mané Garrincha e, no momento da apreensão, os criminosos apresentaram documentação falsa e a placa do carro estava adulterada.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que, ao ser abordado o casal não demonstrou nenhum tipo de resistência. “Devido a distância percorrida, os criminosos acreditavam que não seriam encontrados. Para nossa surpresa, a droga não estava escondida no interior do veículo, o que comprova uma inexperiência e despreocupação”, afirmou o agente resposável pela apreensão.
Ainda de acordo com o delegado, os dois suspeitos não souberam informar quem era o responsável pela droga e, apesar de não terem nenhum relacionamento amoroso, ambos já tinham passagens pela polícia. O homem, Francelino de Jesus Santos, 32 anos, deve responder por tráfico interestadual, receptação e uso de documento falso, podendo pegar de oito a 25 anos de prisão. A mulher, Kelli Barbosa Sales, 23 anos, responderá por tráfico interestadual e pode pegar de cinco a 15 anos de reclusão.
Esquema
Segundo o delegado Rodrigo Bonach, operações como essa reafirmam a intensidade do tráfico no DF. Ele ressalta que se trata de um esquema sofisticado e com o envolvimento de traficantes especializados neste crime.”Essa apreensão é considerada de grande porte por ser uma droga valiosa e pelo volume do material. São traficantes que utilizam furtos e adulteração de veículo para a prática do crime e ainda contratação de “mulas” para o transporte do entorpecente”. E complementou: “Eles trabalham de forma a disseminar a maior quantidade de droga possível. Contratam traficantes menores até chegar ao consumidor final”, concluiu.
Região de Tráfico
De acordo com o delegado, o Distrito Federal é uma região propícia ao tráfico de drogas devido ao alto poder aquisitivo existente. Segundo Bonach, apesar de todo o trabalho realizado pela corporação, por vezes a droga que ingressa no Brasil por meio dos países vizinhos consegue furar as barreiras e chegar ao destino final. “Os traficantes utilizam “mulas” para fazer o transporte e como pagamento oferecem uma pequena quatia e até mesmo parte da droga, uma vez que muitos envolvidos são também usuários”, afirmou o delegado.
As operações em parceria com outras Instituições no combate ao tráfico são resposáveis pelas maiores apreensões de drogas no DF. “O trabalho conjunto possibilita grandes resultados, em virtude da cobertura nacional das outras instituições é possível realizar operações mais específicas e especializadas no combate ao crime”, explicou.