Raphaella Sconetto
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A casa que desabou na quarta-feira (1º), na chácara 122 do Sol Nascente, segue interditada e já tem um futuro definido: a demolição. A Defesa Civil avaliou que a estrutura oferece riscos a edificação vizinha, embora ainda não tenha data prevista para a derrubada. Além dela, outras cinco residências estão interditadas e a chuva segue causando estragos.
O coordenador de operações da Defesa Civil, Sinfrono Lopes, alega que a chuva que caiu sobre o Sol Nascente foi um fator que colaborou para a queda de parte da casa, mas não foi o principal. “A edificação foi construída de uma maneira precária, uma construção de baixa qualidade. Misturam viga de concreto com restos de estrutura metálica para fazer a laje”, contesta.
A dona da casa, Ruth Sander, confirma a versão da Defesa Civil. “Desde cedo comecei a escutar e ver tijolos caindo. Aí chamei um vizinho, que é pedreiro, para ajudar meu marido escorar a parede. O último estalo que ouvi foi quando estava no banheiro, aí desci para o andar de baixo e depois de pouco tempo a parede caiu. Estava só chuviscando, a casa que estava rachando mesmo”, relembra Ruth.
No momento da queda, Ruth afirma que estava ela, o marido e uma sobrinha dentro de casa, no entanto, ninguém se feriu. “O prejuízo foi material”, conta. Agora, a dona de casa não sabe o que vai fazer quando a casa for demolida. “Não temos dinheiro”, resume.

Myke Sena/Jornal de Brasília
Versão oficial
- A Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos do DF (Sinesp-DF) informa que está ciente dos transtornos causados pela movimentação de terra, fato inevitável durante a execução das obras de urbanização. Com o início do período chuvoso, a pasta está empenhada em garantir que os serviços de drenagem e pavimentação não sejam interrompidos. No entanto, como forma de atender as demandas da população, a Novacap estará fazendo – como paliativo – alguns reparos pontuais em vias dos Trecho 1, 2 e 3 da região,
A Secretaria garante que as obras irão beneficiar os quase 70 mil moradores da região. No total, estão sendo investidos R$ 220,3 milhões em benfeitorias que são originários da Caixa Econômica Federal (75%), com contrapartida do Governo de Brasília (25%). A previsão é de que os trabalhos em toda a região sejam concluídos em 2018, com entregas parciais previstas para 2017.
Interdição
Cinco casas tiveram que ser desocupadas por conta do risco de desabamento da outra residência. No local, moram oito famílias que desde ontem estão dormindo em amigos e parentes.
“A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedestmidh) teve que atuar para ajudar os moradores, por serem pessoas de baixo poder econômico. Já fizeram o cadastramento, doaram cestas básicas e autorizaram que dormissem em albergues. Mas os moradores foram para outras casas por decisão própria”, afirma Sinfrono Lopes.
Uma das residências interditadas foi a do pedreiro João Alves de Fonte, 63 anos. Ele está dormindo na casa de um amigo. “Não aconteceu nada com a minha casa, ela fica distante. A Defesa Civil interditou por conta do risco. Entrei só para pegar uma roupa e documentos”, afirma.
O pedreiro estava na hora que a casa desabou. “Tentei ajudar escorar a casa, mas começou a cair muito tijolo e então saímos para ninguém machucar”, conta.
Em vão
Já na via principal do Condomínio Vitória, no trecho II, o trabalho feito pela Caesb foi por água abaixo, depois que a chuva passou pelo Sol Nascente.
De acordo com moradores da região, a companhia estava trabalhando desde quarta-feira à noite. A reportagem esteve no local por volta das 12h30 e viu o serviço quase concluído. A equipe da companhia colocou brita para tapar o buraco. No entanto, por volta das 16h, a chuva levou a brita e cedeu o asfalto.
Homem é arrastado
A chuva no Sol Nascente não deu trégua na tarde de ontem. Além de levar a brita colocada na via principal do Condomínio Vitória, moradores registraram o momento em que um homem foi arrastado por uma enxurrada na região.
O caso relatado pelas pessoas ocorreu na avenida do trecho III do Sol Nascente. Edilson Roberto Caetano dos Santos, 35, é morador da região desde 2013. O atendente estava voltando de uma visita ao cemitério de bicicleta no momento em que foi surpreendido pela chuva. “Quando tentei ir para a calçada, um pedaço de tábua bateu na bicicleta e eu caí para o lado da enxurrada. Eu tentei segurar em alguma coisa, mas não consegui, lembra o morador.
Edilson não quebrou nada, mas tem escoriações por todo o corpo, em especial nas mãos, pés e costas. Ele ainda vai ao hospital para fazer curativo. Quem viu a cena também se assustou. A comerciante Marcela Bagli, que filmou a situação, diz que a chuva forte caiu por volta das 14h. Mas o grande problema é que, como o trecho III do Sol Nascente fica muito para baixo, recebe uma enxurrada muito forte. (Colaborou João Paulo Mariano)